Tinder analógico? Catálogo de solteiros resgata paquera presencial e vira alternativa aos apps de namoro

Em tempos de relações cada vez mais mediadas pelas telas, uma iniciativa criada em Brasília aposta justamente no caminho contrário: incentivar o encontro cara a cara. Nos bares da cidade, a fotógrafa Samantha Hewsen, de 36 anos, atua como cupido unindo pessoas por meio do “Catálogo dos Solteiros”. O projeto nasceu em 12 de junho do ano passado, Dia dos Namorados, e funciona como um "Tinder analógico". Samantha passa nas mesas e pergunta se algum solteiro quer tentar uma paquera. Quem topa participar, paga uma taxa de R$ 20, é fotografado por Samantha e a imagem é impressa na hora. Primeiro, ela entra em um catálogo virtual. Lá, os participantes podem ver quem está no mesmo bar e acessar informações como nome, idade, Instagram, WhatsApp e orientação sexual de quem despertou interesse. A partir daí, é só inciar a aproximação. No dia seguinte, a foto passa a integrar o catálogo físico, onde permanece por uma semana circulando por diferentes bares da cidade. A ideia nasceu durante o trabalho de Samantha como fotógrafa noturna nos bares. Ela percebeu que muitas pessoas, principalmente os mais jovens, demonstravam interesse umas pelas outras, mas tinham dificuldade de dar o primeiro passo e iniciar uma conversa. "Percebi que as pessoas tinham a necessidade dessa ponte, desse cupido, por receio de chegar na mesa do outro. Tinha a ver com timidez, não saber se a outra pessoa é heterossexual ou não, ter medo de parecer, medo de receber fora na frente dos outros. Talvez pela tecnologia e pelo uso dos aplicativos, as pessoas esquecem como é que socializam", reflete. E deu namoro É por causa do “Catálogo dos Solteiros” que a assistente social, Ingrid Montenegro, de 29 anos, não vai passar o Dia dos Namorados sozinha. Ela conta que, quando foi abordada por Samantha, já topou de cara. Ela pegou o contato do atual namorado que estava no catálogo virtual, mas decidiu mandar mensagem só quatro dias depois. Ingrid Montenegro com o namorado, que conheceu através do 'Catálogo de Solteiros' Arquivo pessoal A paquera deu certo e agora os dois estão namorando: "Eu estava no Instagram, então mandei mensagem pela manhã no WhatsApp, passei o dia trabalhando e à noite a gente se encontrou. Às vezes, falta mesmo coragem de ir até a pessoa, ir à mesa, mesmo achando a pessoa bonita, e falar “vou lá”. Eu achei legal essa brincadeira porque você vê que a pessoa é real, porque os aplicativos geram um distanciamento", conta. Agora, Samantha planeja expandir o projeto para todo o Brasil. A ideia é lançar um aplicativo que mostre a localização dos usuários em tempo real, permitindo que solteiros identifiquem pessoas disponíveis nas proximidades e marquem encontros de forma imediata. Na contramão da lógica dos aplicativos, o próprio Tinder tem investido em eventos presenciais para aproximar seus usuários. Recentemente, a plataforma reuniu jovens na faixa dos 20 anos em uma quadra de pickleball, na Califórnia, para incentivar que as pessoas se conhecessem cara a cara. A procura foi tão grande que teve fila para entrar no evento. Enquanto alguns participantes jogavam pickleball ao lado de possíveis matches, outros aproveitavam o ambiente para conversar e socializar.

Tinder analógico? Catálogo de solteiros resgata paquera presencial e vira alternativa aos apps de namoro

Em tempos de relações cada vez mais mediadas pelas telas, uma iniciativa criada em Brasília aposta justamente no caminho contrário: incentivar o encontro cara a cara. Nos bares da cidade, a fotógrafa Samantha Hewsen, de 36 anos, atua como cupido unindo pessoas por meio do “Catálogo dos Solteiros”. O projeto nasceu em 12 de junho do ano passado, Dia dos Namorados, e funciona como um "Tinder analógico". Samantha passa nas mesas e pergunta se algum solteiro quer tentar uma paquera. Quem topa participar, paga uma taxa de R$ 20, é fotografado por Samantha e a imagem é impressa na hora. Primeiro, ela entra em um catálogo virtual. Lá, os participantes podem ver quem está no mesmo bar e acessar informações como nome, idade, Instagram, WhatsApp e orientação sexual de quem despertou interesse. A partir daí, é só inciar a aproximação. No dia seguinte, a foto passa a integrar o catálogo físico, onde permanece por uma semana circulando por diferentes bares da cidade. A ideia nasceu durante o trabalho de Samantha como fotógrafa noturna nos bares. Ela percebeu que muitas pessoas, principalmente os mais jovens, demonstravam interesse umas pelas outras, mas tinham dificuldade de dar o primeiro passo e iniciar uma conversa. "Percebi que as pessoas tinham a necessidade dessa ponte, desse cupido, por receio de chegar na mesa do outro. Tinha a ver com timidez, não saber se a outra pessoa é heterossexual ou não, ter medo de parecer, medo de receber fora na frente dos outros. Talvez pela tecnologia e pelo uso dos aplicativos, as pessoas esquecem como é que socializam", reflete. E deu namoro É por causa do “Catálogo dos Solteiros” que a assistente social, Ingrid Montenegro, de 29 anos, não vai passar o Dia dos Namorados sozinha. Ela conta que, quando foi abordada por Samantha, já topou de cara. Ela pegou o contato do atual namorado que estava no catálogo virtual, mas decidiu mandar mensagem só quatro dias depois. Ingrid Montenegro com o namorado, que conheceu através do 'Catálogo de Solteiros' Arquivo pessoal A paquera deu certo e agora os dois estão namorando: "Eu estava no Instagram, então mandei mensagem pela manhã no WhatsApp, passei o dia trabalhando e à noite a gente se encontrou. Às vezes, falta mesmo coragem de ir até a pessoa, ir à mesa, mesmo achando a pessoa bonita, e falar “vou lá”. Eu achei legal essa brincadeira porque você vê que a pessoa é real, porque os aplicativos geram um distanciamento", conta. Agora, Samantha planeja expandir o projeto para todo o Brasil. A ideia é lançar um aplicativo que mostre a localização dos usuários em tempo real, permitindo que solteiros identifiquem pessoas disponíveis nas proximidades e marquem encontros de forma imediata. Na contramão da lógica dos aplicativos, o próprio Tinder tem investido em eventos presenciais para aproximar seus usuários. Recentemente, a plataforma reuniu jovens na faixa dos 20 anos em uma quadra de pickleball, na Califórnia, para incentivar que as pessoas se conhecessem cara a cara. A procura foi tão grande que teve fila para entrar no evento. Enquanto alguns participantes jogavam pickleball ao lado de possíveis matches, outros aproveitavam o ambiente para conversar e socializar.