O grito do vizinho entregou o gol na Copa? Saiba por que isso acontece

A poucos dias da estreia do Brasil na Copa do Mundo, muitos torcedores já estão se preparando pra evitar um dos maiores pesadelos de quem acompanha futebol pela TV: o 'spoiler' do gol vindo da casa do vizinho. Como existem diferentes formas de transmissão, o tempo que a imagem leva pra chegar ao telespectador varia bastante. Dependendo da plataforma, o atraso pode ser de vários segundos, o suficiente pra que a comemoração de quem está assistindo por outro sistema revele o lance antes que ele apareça na tela. Pra reduzir esse intervalo, muitos brasileiros estão recorrendo à antena digital, que permite assistir à TV aberta com o menor delay entre as opções disponíveis. Em meio aos preparativos pro Mundial, a TV Globo lançou a campanha "Fique Antenado", que busca ampliar o acesso dos brasileiros às antenas digitais, divulgar as vantagens do sinal aberto e orientar o público sobre a instalação. As transmissões por TV por assinatura costumam ter um pequeno atraso adicional. Já os serviços de streaming aparecem no fim da lista, podendo registrar diferença de até 30 segundos, dependendo da conexão e da plataforma utilizada. O jogo é capturado por dezenas de câmeras em tempo real, enviado para uma Central onde o diretor escolhe quais delas serão enviadas. Depois, esses dados são distribuídos para os diferentes formatos de transmissão. Thássius Veloso, especialista em tecnologia e comentarista da CBN, explica que esse atraso é causado pelo caminho feito por esses dados até chegar à casa dos telespectadores. "A transmissão da TV tradicional costuma ser a mais veloz. Uma vez que essas imagens chegam à antena da emissora de televisão, elas já são propagadas para toda aquela região. No caso da TV por assinatura, essas mesmas imagens, que são, na verdade, dados, assim como um e-mail, uma foto ou um vídeo, precisam percorrer um caminho maior até chegar à operadora, que encaminha o sinal ao decodificador específico de cada consumidor. Quando a gente fala de internet, são muitas as etapas pelas quais esses dados precisam trafegar até chegar ao celular, ao computador ou à smart TV daquele usuário. É daí que vem esse atraso." Antena Pixabay Para receber o sinal digital, é necessário ter uma antena compatível, que custa a partir de R$ 30. Em aparelhos mais antigos, também pode ser necessário um conversor de sinal. O torcedor Rodrigo Mancha resolveu investir no equipamento para não correr riscos durante os jogos da Seleção. “É a primeira Copa que a gente lida com esse tipo de situação. E a alternativa que eu encontrei foi ter uma antena digital para cada aparelho da minha casa. Não sei se vou assistir aos jogos em casa, mas, se for o caso, vou colocar na antena digital, porque não quero perder nenhum momento de emoção.” Se hoje a preocupação é ganhar alguns segundos para escapar dos spoilers, há quase um século o desafio era conseguir acompanhar uma partida internacional no mesmo dia em que ela acontecia. Na Copa de 1930, disputada no Uruguai, um jornal carioca realizou uma operação considerada revolucionária. Reportagens do Diário da Noite, consultadas pela CBN na Biblioteca Nacional, mostram que o periódico recebeu informações da estreia do Brasil contra a Iugoslávia por meio de um cabo submarino operado pela empresa italiana Italcable. Na porta do edifício, alto-falantes transmitiam as atualizações da partida pro público. Enquanto cerca de 5 mil pessoas assistiram ao jogo no estádio em Montevidéu, o jornal estimou que aproximadamente 10 mil torcedores acompanharam os lances do lado de fora da redação, no Rio de Janeiro. O professor de telecomunicações do Instituto Mauá de Tecnologia, Eduardo Pouzada, explica que a operação foi um feito tecnológico pra época. “Transmitir por um cabo muito, mas muito longo, era uma façanha. A instalação desse cabo não era algo simples de ser feito, mas sim um serviço profissional de longuíssima distância. Por meio dele, era possível captar um sinal a milhares de quilômetros de distância. Na década de 1930, isso era absolutamente revolucionário, porque a tecnologia no Brasil ainda estava engatinhando.” Em 1930, jornal do Rio transmitiu o 1º jogo do Brasil em Copas por cabo telefônico submerso. Acervo/ Biblioteca Nacional Apesar da derrota brasileira por 2 a 1, a estreia na Copa entrou pra história como um dos primeiros eventos esportivos internacionais acompanhados quase em tempo real pelo público brasileiro. A primeira transmissão radiofônica de uma Copa só aconteceria em 1938. As imagens chegaram à televisão brasileira em 1958, mas as transmissões ao vivo pela TV só se tornaram possíveis em 1970, com o uso de satélites. As partidas em cores passaram a fazer parte da rotina dos brasileiros a partir do Mundial de 1974. Noventa e seis anos depois, a tecnologia mudou completamente. Mas a ansiedade do torcedor pra acompanhar cada lance da Seleção o mais rápido possível continua exatamente a mesma.

O grito do vizinho entregou o gol na Copa? Saiba por que isso acontece

A poucos dias da estreia do Brasil na Copa do Mundo, muitos torcedores já estão se preparando pra evitar um dos maiores pesadelos de quem acompanha futebol pela TV: o 'spoiler' do gol vindo da casa do vizinho. Como existem diferentes formas de transmissão, o tempo que a imagem leva pra chegar ao telespectador varia bastante. Dependendo da plataforma, o atraso pode ser de vários segundos, o suficiente pra que a comemoração de quem está assistindo por outro sistema revele o lance antes que ele apareça na tela. Pra reduzir esse intervalo, muitos brasileiros estão recorrendo à antena digital, que permite assistir à TV aberta com o menor delay entre as opções disponíveis. Em meio aos preparativos pro Mundial, a TV Globo lançou a campanha "Fique Antenado", que busca ampliar o acesso dos brasileiros às antenas digitais, divulgar as vantagens do sinal aberto e orientar o público sobre a instalação. As transmissões por TV por assinatura costumam ter um pequeno atraso adicional. Já os serviços de streaming aparecem no fim da lista, podendo registrar diferença de até 30 segundos, dependendo da conexão e da plataforma utilizada. O jogo é capturado por dezenas de câmeras em tempo real, enviado para uma Central onde o diretor escolhe quais delas serão enviadas. Depois, esses dados são distribuídos para os diferentes formatos de transmissão. Thássius Veloso, especialista em tecnologia e comentarista da CBN, explica que esse atraso é causado pelo caminho feito por esses dados até chegar à casa dos telespectadores. "A transmissão da TV tradicional costuma ser a mais veloz. Uma vez que essas imagens chegam à antena da emissora de televisão, elas já são propagadas para toda aquela região. No caso da TV por assinatura, essas mesmas imagens, que são, na verdade, dados, assim como um e-mail, uma foto ou um vídeo, precisam percorrer um caminho maior até chegar à operadora, que encaminha o sinal ao decodificador específico de cada consumidor. Quando a gente fala de internet, são muitas as etapas pelas quais esses dados precisam trafegar até chegar ao celular, ao computador ou à smart TV daquele usuário. É daí que vem esse atraso." Antena Pixabay Para receber o sinal digital, é necessário ter uma antena compatível, que custa a partir de R$ 30. Em aparelhos mais antigos, também pode ser necessário um conversor de sinal. O torcedor Rodrigo Mancha resolveu investir no equipamento para não correr riscos durante os jogos da Seleção. “É a primeira Copa que a gente lida com esse tipo de situação. E a alternativa que eu encontrei foi ter uma antena digital para cada aparelho da minha casa. Não sei se vou assistir aos jogos em casa, mas, se for o caso, vou colocar na antena digital, porque não quero perder nenhum momento de emoção.” Se hoje a preocupação é ganhar alguns segundos para escapar dos spoilers, há quase um século o desafio era conseguir acompanhar uma partida internacional no mesmo dia em que ela acontecia. Na Copa de 1930, disputada no Uruguai, um jornal carioca realizou uma operação considerada revolucionária. Reportagens do Diário da Noite, consultadas pela CBN na Biblioteca Nacional, mostram que o periódico recebeu informações da estreia do Brasil contra a Iugoslávia por meio de um cabo submarino operado pela empresa italiana Italcable. Na porta do edifício, alto-falantes transmitiam as atualizações da partida pro público. Enquanto cerca de 5 mil pessoas assistiram ao jogo no estádio em Montevidéu, o jornal estimou que aproximadamente 10 mil torcedores acompanharam os lances do lado de fora da redação, no Rio de Janeiro. O professor de telecomunicações do Instituto Mauá de Tecnologia, Eduardo Pouzada, explica que a operação foi um feito tecnológico pra época. “Transmitir por um cabo muito, mas muito longo, era uma façanha. A instalação desse cabo não era algo simples de ser feito, mas sim um serviço profissional de longuíssima distância. Por meio dele, era possível captar um sinal a milhares de quilômetros de distância. Na década de 1930, isso era absolutamente revolucionário, porque a tecnologia no Brasil ainda estava engatinhando.” Em 1930, jornal do Rio transmitiu o 1º jogo do Brasil em Copas por cabo telefônico submerso. Acervo/ Biblioteca Nacional Apesar da derrota brasileira por 2 a 1, a estreia na Copa entrou pra história como um dos primeiros eventos esportivos internacionais acompanhados quase em tempo real pelo público brasileiro. A primeira transmissão radiofônica de uma Copa só aconteceria em 1938. As imagens chegaram à televisão brasileira em 1958, mas as transmissões ao vivo pela TV só se tornaram possíveis em 1970, com o uso de satélites. As partidas em cores passaram a fazer parte da rotina dos brasileiros a partir do Mundial de 1974. Noventa e seis anos depois, a tecnologia mudou completamente. Mas a ansiedade do torcedor pra acompanhar cada lance da Seleção o mais rápido possível continua exatamente a mesma.