Novo tarifaço dos EUA: 'documento não é instrumento totalmente jurídico, mas político', diz economista
O governo brasileiro divulgou nota em que afirma discordar de maneira “profunda” das conclusões do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos sobre falhas na importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. No comunicado, o governo afirma que vai recorrer a instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para reagir a “situações de injustiça”. O economista e doutor em Relações Internacionais, Igor Lucena, em entrevista ao Jornal da CBN, fez uma análise da situação e o que esperar que, de fato, entre em vigor a partir do que foi anunciado: "Eu acho que a gente tem que entender que esse documento que foi colocado não é um instrumento totalmente jurídico, ele é um instrumento político. Dito isso, a maneira e a abordagem de como o governo brasileiro vai fazer, a resposta, é fundamental. (...) Se a gente for olhar apenas o documento, e dizer que esse documento está errado, e rebatermos ponto a ponto, e se não atacarmos a visão política, nós vamos receber as tarifas do mesmo jeito. (...) Então é entender o seguinte, o que os Estados Unidos querem do Brasil para que essas tarifas não se tornem uma realidade". Igor Lucena explica que até julho há necessidade de resposta por parte do governo brasileiro e a Casa Branca pode ou não colocá-la em negociação. O economista também falou sobre o Brasil ter algo para colocar em uma mesa de negociação do ponto de vista jurídico ou econômico para tentar, pelo menos, abrir um diálogo: "O Brasil tem armas passivas e ativas para negociação, e vai depender, obviamente, da visão do presidente Lula em relação a isso. Eu acho que um outro ponto que é fundamental, independente disso, Cássia, é que o Brasil está há muito tempo apagando fogo. Essas tarifas ocorrem, um problema com a China, o Brasil precisa radicalmente legalizar as leis de lobby local e internacional, porque isso não é mais visto, acho que o Brasil está vendo que o lobby não é mais visto como um instrumento de corrupção empresarial, mas um instrumento de defesa". O especialista explica que o mundo inteiro está trabalhando com lobbies para defender seus países. Então o Brasil precisa ter uma visão comercial: "O Brasil, a política externa brasileira, ela faz a defesa do Brasil visando o indivíduo brasileiro, a nação brasileira, a gente está falando aqui, defendendo os brasileiros. (....) Se nós não tivermos uma visão clara disso e alterarmos a maneira que nós pensamos, vai ser muito difícil ter essa conversa. Então a política externa brasileira tem que mudar fundamentalmente uma visão protocolar para uma visão ativa, e isso merece, obviamente, uma nova legislação". Ouça a entrevista completa:

O governo brasileiro divulgou nota em que afirma discordar de maneira “profunda” das conclusões do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos sobre falhas na importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. No comunicado, o governo afirma que vai recorrer a instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para reagir a “situações de injustiça”. O economista e doutor em Relações Internacionais, Igor Lucena, em entrevista ao Jornal da CBN, fez uma análise da situação e o que esperar que, de fato, entre em vigor a partir do que foi anunciado: "Eu acho que a gente tem que entender que esse documento que foi colocado não é um instrumento totalmente jurídico, ele é um instrumento político. Dito isso, a maneira e a abordagem de como o governo brasileiro vai fazer, a resposta, é fundamental. (...) Se a gente for olhar apenas o documento, e dizer que esse documento está errado, e rebatermos ponto a ponto, e se não atacarmos a visão política, nós vamos receber as tarifas do mesmo jeito. (...) Então é entender o seguinte, o que os Estados Unidos querem do Brasil para que essas tarifas não se tornem uma realidade". Igor Lucena explica que até julho há necessidade de resposta por parte do governo brasileiro e a Casa Branca pode ou não colocá-la em negociação. O economista também falou sobre o Brasil ter algo para colocar em uma mesa de negociação do ponto de vista jurídico ou econômico para tentar, pelo menos, abrir um diálogo: "O Brasil tem armas passivas e ativas para negociação, e vai depender, obviamente, da visão do presidente Lula em relação a isso. Eu acho que um outro ponto que é fundamental, independente disso, Cássia, é que o Brasil está há muito tempo apagando fogo. Essas tarifas ocorrem, um problema com a China, o Brasil precisa radicalmente legalizar as leis de lobby local e internacional, porque isso não é mais visto, acho que o Brasil está vendo que o lobby não é mais visto como um instrumento de corrupção empresarial, mas um instrumento de defesa". O especialista explica que o mundo inteiro está trabalhando com lobbies para defender seus países. Então o Brasil precisa ter uma visão comercial: "O Brasil, a política externa brasileira, ela faz a defesa do Brasil visando o indivíduo brasileiro, a nação brasileira, a gente está falando aqui, defendendo os brasileiros. (....) Se nós não tivermos uma visão clara disso e alterarmos a maneira que nós pensamos, vai ser muito difícil ter essa conversa. Então a política externa brasileira tem que mudar fundamentalmente uma visão protocolar para uma visão ativa, e isso merece, obviamente, uma nova legislação". Ouça a entrevista completa:

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