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Operador ofereceu R$ 2 bilhões da Previ a Vorcaro no BB: A coisa já está totalmente montada

Operador sugere que o esquema para abrir os cofres de fundos de pensão ao Master também envolvia 'pessoas do Banco do Brasil'

No fim de 2023, o operador Hamilton Buselin — ligado a Júlio Cezar, o lobista do grupo do ministro Alexandre Padilha nos fundos de pensão estatais — enviou um recado a Daniel Vorcaro, por intermédio de um parceiro do banqueiro.

Segundo Hamilton, a Previ, tinha, naquele momento, 2 bilhões de reais liberados no Banco do Brasil para o bilionário captar.

“A informação que eu tive é de que o Master está tentando fazer uma operação muito grande (de captação nos fundos), mas estão tendo algum problema… Para aquisição de letras, não há limite e a disponibilidade hoje da Previ é de 2 bilhões de reais”, disse ele ao emissário do Banco Master.

Oito homens de terno sentados em uma mesa de madeira retangular em uma reunião. Copos de água e xícaras de café estão sobre a mesa. O ambiente tem paredes claras e um tapete estampado no chão.
17/07/23 – Ministro de Relações Institucionais da Presidência da República Alexandre Padilha, recebeu em audiência, os chefes dos fundos de pensão PREVI – Joao Fukunaga POSTALIS – Camilo Fernandes dos Santos FUNCEF – Ricardo Pontes PETROS – Henrique Jäger.Gil Ferreira/Ascom/SRI/Divulgação

O caminho até o dinheiro, segundo a mensagem, passava por algo surreal: uma encenação seria criada para legitimar a operação do fundo de previdência dos servidores do BB com o Master. O Banco Master teria que provocar ou seja, mostrar interesse de captar e aí todo o resto já estava combinado com a direção da Previ, então dominada por indicados da cúpula do PT, entre eles o famoso ex-tesoureiro João Voccari Neto, citado na delação de Vorcaro – rejeitada pela PGR por ‘fala de provas’ – como operador de propinas para o Instituto Lula e para um filme sobre o presidente.

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“A gente pode patrocinar essa entrada. É por isso que eles (dirigentes da Previ) querem fazer a visita pessoalmente. A gente só tem que provocar essa visita, fazemos uma reunião, o presidente da Previ vai junto com a diretoria e a gente já conversa e acerta possíveis operações”, diz o operador.

Além desses 2 bilhões de reais do fundo dos aposentados do BB, o operador mostra que o esquema, se desse certo, não teria limites:

“A essência da história é a gente fazer com que o Master vá para dentro do circuito (dos fundos) de forma direta e objetiva e não dependa dos intermediários que hoje estão intercedendo por ele. Essa é uma operação de entrada. A gente precisa fazer com que entre, porque, quando chegar em maio, por exemplo, a Previ pode estar com uma liberação de valores muito superiores e aí o Master já vai estar em condição de fazer aceitação”, diz Hamilton mostrando que o céu era o limite.

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Além da jogada ensaiada com Vorcaro e com a cúpula petista da Previ, o operador garante que o esquema já estava acertado também com o pessoal do próprio Banco do Brasil — o que agrava o caso.

Para que isso seja feito, seja liberado, a gente tem todo o roteiro. Inclusive as pessoas no Banco do Brasil já estão instruídas a esperar e receber o que a gente encaminhar. A coisa já está totalmente montada, diz Hamilton.

Ao levar o recado a Vorcaro, o parceiro do banqueiro garante que o interlocutor do grupo de Padilha tinha mesmo influência no fundo de pensão ligado ao Banco do Brasil:

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Ele está bastante dentro da Previ e eles estão com apetite pra comprar letras financeiras e os limites lá são bem altos, disse numa mensagem.

Documento impresso com o título PROVAS DE CORROBORAÇÃO e uma lista de itens: a) Conversas de WhatsApp; b) Registros de entrada no Palácio do Planalto; c) E-mails; d) Atas de comitês na POSTALIS, PETROS e no BB; e) Comprovantes de pagamento da propina; f) Uso de aeronaves. Abaixo, o título 1  Fatos: e o início de um parágrafo sobre o Banco Master
Trecho do anexo da proposta de delação de Vorcaro que foi rejeitada pela PGR por “falta de provas”./Divulgação

O operador cita, nessa mensagem, o próprio Júlio Cezar. Na proposta de delação de Vorcaro revelada por VEJA, as mensagens do celular do banqueiro e os registros de entrada do Palácio do Planalto mostram que a figura maior, nesse conjunto de operadores de Júlio Cezar era o ministro Alexandre Padilha, que naqueles dias despachava na Secretaria de Relações Institucionais do presidente Lula, a metros do gabinete presidencial.

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Nesta semana, o Radar revelou registros do próprio Planalto que confirmam que Vorcaro e o lobista do grupo de Padilha foram ao palácio em pelo menos duas ocasiões, tal qual revelado pelo banqueiro na delação rejeitada pela PGR por “falta de provas”, mesmo tendo ele oferecido até recibos de propina paga ao petismo.

Com a ajuda de Padilha, do braço-direito dele no palácio, Olavo Noleto, e de Júlio Cézar, Vorcaro conseguiu reuniões com os presidentes dos fundos de pensão de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. Um áudio revelado por VEJA nesta semana mostra que Júlio prometia colocar  Vorcaro “na boca do gol” no Banco do Brasil.

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As negociações fizeram que o Master conseguisse até entrar na concorrida “lista exaustiva” da Previdência, uma espécie de passaporte oficial do governo para que o banco tivesse credenciais aceitas ao captar recursos nos fundos.

Vorcaro conta na proposta de delação premiada que o esquema, que renderia 10 bilhões de reais ao Master com retorno de 1 bilhão de reais em propina aos petistas, só não deu certo porque a operação vazou para a imprensa.

Com as matérias difundidas na imprensa em julho de 2024 sobre a suposta perda de cargo de gestores da Caixa Asset que teriam sido contrários ao investimento em LFs do Banco Master, o grupo de Padilha e os dirigentes da Petros, Postalis e BB preferiram segurar a decisão de fazer o investimento, diz Vorcaro num anexo revelado por VEJA.

Em tempo, Alexandre Padilha, Olavo Noleto e outros citados nas investigações e na tentativa de delação de Vorcaro já negaram, em nota, qualquer envolvimento com o banqueiro. Eles também negam o recebimento de propina ou a atuação em favor do dono do Master, apesar das mensagens obtidas pela PF.

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Fonte: veja.abril.com.br

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