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A grande surpresa da eleição de 2026 na disputa entre Flávio e Lula

Cientista político destaca avanço da esquerda nas redes sociais, mas alerta que lives dos candidatos falam para eleitores já convencidos

A entrada da esquerda na disputa digital é uma das grandes surpresas da eleição presidencial de 2026, na avaliação do cientista político Elias Tavares. Durante participação no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o especialista afirmou que a capacidade de mobilização conquistada pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais representa uma mudança importante em relação ao histórico recente de dificuldades do campo progressista nesse ambiente. Apesar disso, Tavares questionou a eficácia das transmissões ao vivo realizadas pelo presidente e por Flávio Bolsonaro para conquistar novos eleitores. Para ele, as campanhas correm o risco de concentrar esforços em apoiadores já convencidos, enquanto cresce o número de pessoas que ainda não decidiram em quem votar. (este texto é um resumo do vídeo acima)

A análise ocorreu no momento em que Lula e Flávio realizavam lives simultâneas nas redes sociais, a três dias do segundo turno. A transmissão do presidente contou com a participação anunciada do deputado André Janones, apontado no programa como um dos responsáveis pela mobilização digital petista. Marcela destacou também a atuação de comunidades no WhatsApp, como o “Exército do Lula” e a “Tropa do Flávio”, que, segundo os números mencionados pela apresentadora, reuniam mais de 7 milhões e cerca de 2 milhões de participantes, respectivamente.

Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral

Por que a campanha digital de Lula surpreendeu?

Para Elias Tavares, a reorganização da comunicação petista nas redes sociais é um dos aspectos mais relevantes da disputa de 2026. O cientista político observou que a direita já havia desenvolvido uma atuação consistente nesse ambiente, enquanto a esquerda enfrentava dificuldades para se conectar ao eleitorado por meio das plataformas digitais.

“Do ponto de vista de marketing político, que é um tema que eu gosto, eu acho que é o grande case da eleição de 2026, porque de uma hora para outra o governo conseguiu entrar nas redes sociais, finalmente”, afirmou.

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Segundo o especialista, a direita utiliza há mais tempo as plataformas digitais para ampliar sua força política e impulsionar candidaturas, inclusive de representantes mais jovens para cargos no Legislativo e no Executivo. A mudança de atuação da esquerda, portanto, representa uma novidade na campanha presidencial. “É uma surpresa e um case interessante por parte da esquerda, é a novidade desse segundo turno”, avaliou.

Por que as lives de Lula e Flávio podem não conquistar novos votos?

Apesar de reconhecer a importância da mobilização digital, Tavares fez uma ressalva sobre o alcance político das transmissões simultâneas dos dois candidatos. Na avaliação dele, as lives tendem a atrair principalmente pessoas que já apoiam Lula ou Flávio Bolsonaro, sem necessariamente atingir o eleitorado que ainda está em dúvida.

O cientista político resumiu a estratégia com duas expressões: “Pescar no aquário, pregar para convertido”. Segundo ele, a principal disputa após o encerramento das transmissões seria uma comparação entre os números de espectadores e de engajamento, com cada campanha tentando demonstrar maior capacidade de mobilização.

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Para Tavares, porém, essa competição não responde ao principal desafio eleitoral. “Acaba falando pro aquário e não fala com quem tem que falar”, afirmou, em referência aos indecisos e aos eleitores que consideram votar em branco ou anular o voto.

O especialista ressaltou que manter as bases mobilizadas é importante, mas advertiu que as campanhas precisam direcionar parte de seus esforços para quem ainda não definiu sua escolha. Segundo sua avaliação, esses eleitores podem influenciar o resultado de uma disputa marcada pelo equilíbrio entre as duas candidaturas.

Por que o aumento dos indecisos é um fenômeno incomum?

Outro ponto destacado no programa foi o comportamento dos eleitores indecisos às vésperas da votação. Marcela Rahal mencionou dados da pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira, segundo os quais o percentual de indecisos teria passado de 7% para 14%.

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Elias Tavares apontou que esse comportamento contraria a dinâmica normalmente observada nas campanhas eleitorais. Segundo ele, à medida que a votação se aproxima, a tendência é que o número de indecisos diminua, conforme os eleitores recebem mais informações e consolidam suas preferências.

O cientista político levantou a hipótese de que a própria atuação das campanhas esteja contribuindo para aumentar as dúvidas. Ele citou especialmente o confronto anterior entre Lula e Flávio Bolsonaro no debate da Band, marcado por acusações e embates entre os candidatos, como um possível fator de afastamento de eleitores que estavam inclinados a escolher um dos lados.

“Quem era para tá sendo convencido tá se desconvencendo”, afirmou Tavares. Para o especialista, o crescimento dos indecisos na reta final representa um comportamento contrário ao esperado em uma eleição presidencial.

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O que o crescimento dos indecisos revela sobre a disputa?

Na avaliação de Tavares, o aumento da parcela de eleitores sem candidato definido expõe uma dificuldade das duas campanhas de apresentar argumentos capazes de convencer quem está fora dos grupos já identificados com Lula ou Flávio Bolsonaro.

O cientista político ressaltou que a disputa não depende apenas da mobilização dos apoiadores mais engajados, mas também das escolhas de quem ainda considera votar em branco, anular o voto ou optar por um dos candidatos. Nesse cenário, a competição por audiência nas redes sociais pode ter alcance limitado, caso não consiga estabelecer diálogo com esse público.

Para o especialista, a trajetória dos indecisos é especialmente significativa porque contraria a expectativa de redução progressiva das dúvidas à medida que a eleição se aproxima. “Chegar na eleição com 1% de indeciso, não você saltar de 7 para 14, dobrar a quantidade de indeciso”, afirmou, ao exemplificar a dinâmica que considera incomum.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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Fonte: veja.abril.com.br

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