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O câncer do papa Leão XIV: uma santa transparência

O próprio pontífice anunciou que os médicos haviam identificado um nódulo no seu pulmão e recomendado cirurgia

Durante séculos, a saúde dos papas foi assunto tratado aos sussurros nos corredores do Vaticano, onde predominava a visão de que o Sumo Pontífice não podia expor fraquezas que favorecessem um clima de instabilidade. Nestes tempos de mudanças, porém, a virtude da transparência prevaleceu: o próprio Leão XIV anunciou que os médicos haviam identificado um nódulo no seu pulmão e recomendado cirurgia, para a qual se internou sem disfarces, acenando aos fiéis no trajeto para o hospital. A operação, na terça-feira 13, confirmou que se tratava de um tumor maligno que exigiu a retirada de uma parte do pulmão um boletim médico de inédita e bem-vinda franqueza. Em 1963, o papa João XXIII faleceu vítima de um câncer de estômago que foi mantido em segredo ao longo de todos os meses em que presidiu o histórico Concílio Vaticano II. João Paulo II viveu doze anos do pontificado com Parkinson e suas dificuldades motoras sempre foram atribuídas ao atentado a que sobreviveu em 1981.

O papado de Francisco abriu informações médicas mais minuciosas, mas também omitiu a gravidade de seu quadro clínico os cirurgiões revelaram posteriormente que, durante uma internação que precedeu sua morte, em abril de 2025, cogitaram deixá-lo ir. No caso de Leão XIV, a previsão é de retomada da agenda regular em uma semana, sem menção a novos tratamentos ou a adiamento da viagem, em novembro, a Argentina, Uruguai e Peru. Que o papa tenha tempo e saúde para seguir arejando os caminhos da Igreja.

Publicado em VEJA de 16 de outubro de 2026, edição nº 3017

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Fonte: veja.abril.com.br

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