Atual presidente da ABDI foi cotado para ser ministro e tem longa folha de 'serviços' prestados em governos do PT
Ex-braço direito de Alexandre Padilha e atual presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o petista Olavo Noleto é uma das figuras próximas ao presidente Lula citadas na proposta de delação de Daniel Vorcaro como beneficiárias de propina por corrupção em fundos de pensão.
Assessores palacianos descrevem Noleto como alguém que Lula chamava de querido nas agendas oficiais. O goiano tinha enorme poder na fase em que atuou no gabinete de Padilha. O prestígio era tão grande que um primo de Noleto, sem qualquer relação com o governo, transitava livremente no palácio, inclusive em reuniões com o ministro de Lula, sem ser constrangido. Essa figura, ainda oculta nas investigações da PF, é vista por investigadores como o caminho para os negócios do “querido” Noleto.
Em janeiro, Noleto chegou a ser considerado por Lula como potencial ministro a substituir Gleisi Hoffmann nas Relações Institucionais, o mesmo posto que era de Padilha antes de a deputada do Paraná assumir o posto.
Olavo é um velho conhecido no Planalto. Ele trabalha nos governos do PT desde o primeiro mandato de Lula e atuou com Gleisi quando a ministra chefiava a Casa Civil de Dilma Rousseff.

Em um dos anexos rejeitados pela PGR por suposta ausência de provas — até recibo de propina o banqueiro ofereceu aos investigadores –, Vorcaro relata que Noleto atuou com o então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, para abrir os cofres dos fundos de pensão de estatais ao Banco Master.
Mensagens de celular trocadas com o operador Júlio Cezar — que também integrava o esquema –, encontradas pela PF no aparelho de Vorcaro, comprovam toda a articulação do “grupo do ministro Alexandre Padilha” para que Vorcaro fosse recebido com tapete vermelho pelos presidentes de fundos de pensão de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios.
O preço de toda a movimentação do ministro de Lula, um dos mais importantes do governo — que despachava a metros do gabinete do presidente naqueles dias –, segundo Vorcaro, seria 10% de propina sobre tudo que o banco arrecadasse nos cofres dos fundos estatais. Como o banqueiro estimava faturar 10 bilhões de reais no esquema, o petismo levaria 1 bilhão de reais se o golpe tivesse prosperado.
Vorcaro teve, de fato, muitos benefícios enquanto precisou do governo Lula para abrir caminhos nos fundos de pensão. Entrou na lista exaustiva da Previdência, flexibilizou critérios de captação nos fundos, mas na hora de começar a meter a mão no dinheiro, a operação vazou para a imprensa e melou o negócio, como ele mesmo revelou no anexo da delação.
Com as matérias difundidas na imprensa em julho de 2024 sobre a suposta perda de cargo de gestores da Caixa Asset que teriam sido contrários ao investimento em LFs do Banco Master, o grupo de Padilha e os dirigentes da Petros, Postalis e BB preferiram segurar a decisão de fazer o investimento, diz Vorcaro num anexo revelado por VEJA.
O banqueiro diz no acordo ainda que Padilha, Noleto, Júlio e outros integrantes do esquema chegaram a receber 6 milhões de reais em propina por ajudarem Vorcaro a captar num fundo de previdência municipal.
Em tempo, Alexandre Padilha, Olavo Noleto e outros citados nas investigações e na tentativa de delação de Vorcaro já negaram, em nota, qualquer envolvimento com o banqueiro. Eles também negam o recebimento de propina ou a atuação em favor do dono do Master, apesar das mensagens obtidas pela PF.
Fonte: veja.abril.com.br