Presidente dos EUA, que anunciou uma 'trégua energética' e acordo com Moscou, acusa líder ucraniano de contribuir para disparada global do petróleo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a retomada dos ataques ucranianos contra refinarias de petróleo na Rússia como uma “vergonha” e acusou o governo de Volodymyr Zelensky de contribuir para a alta dos preços dos combustíveis no mercado internacional. Os comentários vieram dias depois dele anunciar uma “trégua energética” para suspender bombardeios de ambos lados contra infraestruturas petrolíferas e usinas elétricas, a qual Kiev acusou Moscou de desrespeitar continuamente.
“Tudo o que ele (Zelensky) está fazendo é elevar o preço mundial do petróleo. Bem, acho isso uma vergonha”, disse o presidente americano em entrevista à emissora Newsmax, exibida na noite de quinta-feira 15. Há muitos alvos que você pode atingir, mas, quando mira em refinarias de diesel, onde se produz, sabe, óleo diesel, e nós precisamos disso, e o mundo precisa disso, então ele não está prestando um bom serviço ao mundo, acrescentou.
O ocupante do Salão Oval ainda reiterou sua avaliação de que Zelensky e o presidente russo, Vladimir Putin, se odeiam, o que dificulta o fim do conflito.
Não sou um grande admirador de Zelensky, disse Trump. Acho que, na verdade, os dois gostariam de ver isso terminar, mas considero Zelensky mais difícil de lidar do que Putin.
Em visita a Bruxelas nesta sexta-feira, 16, Zelensky evitou comentar diretamente as declarações de Trump, mas agradeceu o apoio dos líderes europeus. O presidente ucraniano afirmou que seu país deseja encerrar o conflito rapidamente, embora não veja sinais de que Moscou esteja disposta a negociar.
As declarações ocorrem após a Ucrânia atingir uma refinaria que pertence à estatal russa Rosneft, localizada a sudeste de Moscou e responsável por parte do abastecimento da capital.
Retomada dos ataques
Kiev retomou os ataques contra refinarias russas depois que Zelensky anunciou o abandono de uma trégua energética anunciada unilateralmente por Trump na semana passada, sem que Rússia e Ucrânia tivessem confirmado sua adesão.
O líder ucraniano já havia expressado frustração com ataques contínuos da Rússia à infraestrutura energética ucraniana ofensivas que, segundo ele afirmou na quarta-feira, já deixaram 600 mil pessoas sem energia elétrica. Ele alertou que a Ucrânia não suspenderia seus próprios ataques por tempo indeterminado caso a Rússia não retribuísse, e também criticou o que classificou como um favorecimento de Trump em relação à Rússia.
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Em publicação nas redes sociais nesta quinta, o mandatário ucraniano pediu ainda que Washington não fique ao lado do “agressor”.
“Precisamos de HONESTIDADE de nossos parceiros sobre esta guerra: é importante que todos, nos Estados Unidos, fiquem não do lado do agressor, mas do lado de nossos esforços para proteger vidas, pôr fim a esta guerra e garantir a segurança”, escreveu no X, usando letras maiúsculas ao estilo do presidente americano Donald Trump.
Tensões entre Kiev e Washington
Os episódios ocorrem em meio ao agravamento das tensões entre Kiev e Washington. Nos últimos dias, Trump anunciou um acordo envolvendo o fornecimento de diesel russo aos Estados Unidos e suspendeu temporariamente restrições relacionadas às exportações do combustível. As medidas despertaram preocupação na Ucrânia, que teme um enfraquecimento da pressão econômica sobre o governo de Vladimir Putin.
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O desgaste aumentou após Trump afirmar, no último final de semana, que a Ucrânia deveria substituir Zelensky. As declarações reforçaram as incertezas sobre o apoio americano a Kiev, que também se intensificaram depois de ataques russos com mísseis balísticos contra a capital ucraniana. Autoridades do país disseram não ter recebido os alertas prévios no tempo esperado. O presidente americano negou que os Estados Unidos tivessem interrompido o compartilhamento de informações de inteligência, e não havia uma explicação conclusiva para a ausência dos avisos.
Fonte: veja.abril.com.br