Helen Haines foi atingida por veículo perto de seu gabinete, no estado de Victoria, e motorista foi acusado de três delitos; sua motivação é desconhecida
A deputada australiana Helen Haines sofreu amputação de ambas as pernas após ser atropelada perto de seu gabinete em Wangaratta, no estado de Victoria, informou nesta quarta-feira, 21, seu marido, Phil. A polícia trata o incidente como um ataque intencional.
O motorista, Brendan Nugent, de 43 anos, foi acusado de direção perigosa, de causar intencionalmente lesões graves e do crime federal de agressão a funcionário público, que prevê pena máxima de 10 anos de prisão. O suspeito compareceu a um tribunal local nesta quarta, e a emissora ABC News informou que ele não pediu liberdade sob fiança e que sua próxima audiência está marcada para 4 de fevereiro.
A motivação do ataque continua desconhecida. A polícia analisa todas as hipóteses, incluindo de que o agressor tivesse opiniões radicalmente contrárias ao governo.
Segundo Phil Haines, sua esposa está em condição estável em um hospital de Melbourne. Na terça-feira, os cirurgiões tentavam salvar a perna direita da parlamentar, mas ambas precisaram ser amputadas devido à gravidade dos ferimentos.
“A boa notícia, em meio a tudo isso, é que a Helen está viva e em estado estável. Isso é o mais importante para a nossa família”, disse ele a jornalistas.
O casal está junto há quase 40 anos e tem três filhos e dois netos. Ao final da declaração, ele se emocionou por um momento ao refletir sobre a força da esposa.
Ela é uma pessoa determinada que, com o nosso apoio e amor, fará o possível para se recuperar; é isso que esperamos, concluiu.
O caso
A deputada independente, de 65 anos, estava junto ao porta-malas de seu carro quando foi atingida na tarde de segunda-feira por um Toyota Land Cruiser.
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, e parlamentares de todo o espectro político expressaram choque e indignação diante do ataque. O incidente gerou pedidos por mudanças na segurança dos políticos; na quarta-feira, órgãos de segurança incluindo a Polícia Federal Australiana e a ASIO (agência de inteligência) prestaram esclarecimentos aos parlamentares sobre o cenário atual.
Haines chegou ao Parlamento em 2019, após trabalhar como enfermeira e parteira, e tornou-se conhecida por seu apoio às políticas climáticas e de combate à corrupção.
“Ao atacá-la, percebemos que, na verdade, trata-se de um ataque ao nosso sistema político, à nossa democracia e, de forma ainda mais contundente, um ataque a todos os apoiadores que se dedicaram ao trabalho democrático para eleger Helen”, disparou Cathy McGowan, antecessora de Haines em sua cadeira no Congresso.
Fonte: veja.abril.com.br