Rubio defende 'mudança de lideranças' na América Latina com eleições para combate ao terrorismo
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (3) em uma audiência no Congresso dos Estados Unidos que esperava os próximos meses 'mudando lideranças' na América Latina com as eleições. Sem citar o Brasil, ele afirmou querer que mais países se juntem ao 'Escudo das Américas', em uma referência aos governos de direita e extrema-direita no continente. 'Quartorze países da América se inscreveram para realizar combates conosco contra o terrorismo, atividades anti-drogas e segurança. E acreditamos que esse número vai crescer nos próximos meses com as eleições mudando lideranças em vários países'. Além do Brasil, possuem eleições agendadas para ainda 2026, Colômbia (que terá o segundo turno neste mês, Haiti, Nicarágua e Costa Rica. Este último já possui um governo alinhado a Trump. A afirmação aconteceu quase ao mesmo tempo que Lula discursava na abertura da reunião ministerial em que voltou a criticar Rubio, que já havia sido alvo de questionamentos pelo presidente após anúncio da proposta de taxa de 25%. Lula afirmou que Rubio 'não gosta da América Latina e muito menos do Brasil', completando que ele seria um 'latino-americano frustrado'. Nessa terça (2), o secretário afirmou que o Brasil não era um país amigável para os EUA. O presidente Lula subiu o tom contra os Estados Unidos, disse que não aceita o tratamento dado nesta semana e avisou que o Brasil não vai baixar a cabeça diante do novo tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump. Presidente Lula discursa em reunião ministerial com escrito 'o Pix é do Brasil'. Reprodução Lula exigiu que a equipe não tenha medo das ameaças americanas e declarou que o país não vai ficar chorando. Segundo o presidente, se os Estados Unidos não quiserem comprar os produtos brasileiros, o governo vai procurar novos parceiros comerciais e vender para quem quiser comprar. Lula afirmou que o Brasil é dono do próprio nariz, soberano, e que não vai mais aceitar a política do vira-lata, nem admitir ser tratado como uma republiqueta. O presidente se mostrou indignado com a forma como a sanção foi comunicada. Ele revelou que foi pego de surpresa e que ficou sabendo das novas tarifas pela rede social, com base no que chamou de inverdades. Lula lembrou do recente encontro que teve com Trump, onde entregou documentos pessoalmente, e reclamou que, se alguém tivesse que aplicar taxas para equilibrar o comércio, deveria ser o Brasil contra os americanos. Lula prometeu enviar uma nova carta a Donald Trump e escrever artigos na imprensa internacional para mostrar a indução de uma violência desnecessária. O presidente também não poupou críticas a família Bolsonaro. Sem citar nominalmente o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, classificou a atitude como traição a pátria e disse que agir com interesses rasteiros para tentar prejudicar o governo é uma imbecilidade que pune apenas a população e os empresários brasileiros. Reafirmando que não quer guerra nem com a China, nem com os Estados Unidos, Lula mandou um recado direto afirmando que Donald Trump não é o imperador do mundo. O presidente confirmou que vai levar a crise para a próxima cúpula do G7, onde pretende denunciar o que chamou de desmonte das instituições internacionais e cobrar o fortalecimento do multilateralismo. Propostas de tarifas dos EUA contra Brasil são acumulativas? Presidentes Donald Trump e Lula em encontro na Casa Branca, em maio de 2026 Divulgação/Lula Um dia após o anúncio que o escritório da representação comercial dos Estados Unidos propôs uma taxa de 25% contra o Brasil, uma nova tarifa apresentada pelos EUA apareceu no horizonte. O mesmo escritório adicionou o país em uma taxa de 12,5% por falta de combate ao trabalho forçado. As duas retaliações econômicas de Washington tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio, que estipula uma investigação econômica contra países que estariam realizando práticas para dificultar o comércio americano. O Brasil foi incluído na faixa de maior tributação ao lado de parceiros comerciais como a China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido. É importante deixar claro que as tarifas ainda não são uma certeza. Elas foram propostas por um órgão do governo dos Estados Unidos, porém ainda passarão por audiência até julho e possuem a chance de resposta do governo brasileiro. Além disso, novas negociações podem ocorrer durante esse tempo para diminuir o valor. No entanto, caso ambas avancem, elas se acumulariam. O Brasil, então, passaria a ter taxas de 37,5% nos produtos importados, tirando aqueles listados pelos EUA como não tributáveis. Ficam isentos do imposto de importação produtos agropecuários como carne bovina, café, frutas tropicais, além de petróleo, minérios, terras raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos. A taxa conjunta se aproxima dos 40% adicionais anunciados pelo governo Trump em 2025, junto ao tarifaço que estipulou 10% mínimo contra todos os países do mundo. Dessa forma, o Brasil chegou a ficar com tarifas de 50

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (3) em uma audiência no Congresso dos Estados Unidos que esperava os próximos meses 'mudando lideranças' na América Latina com as eleições. Sem citar o Brasil, ele afirmou querer que mais países se juntem ao 'Escudo das Américas', em uma referência aos governos de direita e extrema-direita no continente. 'Quartorze países da América se inscreveram para realizar combates conosco contra o terrorismo, atividades anti-drogas e segurança. E acreditamos que esse número vai crescer nos próximos meses com as eleições mudando lideranças em vários países'. Além do Brasil, possuem eleições agendadas para ainda 2026, Colômbia (que terá o segundo turno neste mês, Haiti, Nicarágua e Costa Rica. Este último já possui um governo alinhado a Trump. A afirmação aconteceu quase ao mesmo tempo que Lula discursava na abertura da reunião ministerial em que voltou a criticar Rubio, que já havia sido alvo de questionamentos pelo presidente após anúncio da proposta de taxa de 25%. Lula afirmou que Rubio 'não gosta da América Latina e muito menos do Brasil', completando que ele seria um 'latino-americano frustrado'. Nessa terça (2), o secretário afirmou que o Brasil não era um país amigável para os EUA. O presidente Lula subiu o tom contra os Estados Unidos, disse que não aceita o tratamento dado nesta semana e avisou que o Brasil não vai baixar a cabeça diante do novo tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump. Presidente Lula discursa em reunião ministerial com escrito 'o Pix é do Brasil'. Reprodução Lula exigiu que a equipe não tenha medo das ameaças americanas e declarou que o país não vai ficar chorando. Segundo o presidente, se os Estados Unidos não quiserem comprar os produtos brasileiros, o governo vai procurar novos parceiros comerciais e vender para quem quiser comprar. Lula afirmou que o Brasil é dono do próprio nariz, soberano, e que não vai mais aceitar a política do vira-lata, nem admitir ser tratado como uma republiqueta. O presidente se mostrou indignado com a forma como a sanção foi comunicada. Ele revelou que foi pego de surpresa e que ficou sabendo das novas tarifas pela rede social, com base no que chamou de inverdades. Lula lembrou do recente encontro que teve com Trump, onde entregou documentos pessoalmente, e reclamou que, se alguém tivesse que aplicar taxas para equilibrar o comércio, deveria ser o Brasil contra os americanos. Lula prometeu enviar uma nova carta a Donald Trump e escrever artigos na imprensa internacional para mostrar a indução de uma violência desnecessária. O presidente também não poupou críticas a família Bolsonaro. Sem citar nominalmente o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, classificou a atitude como traição a pátria e disse que agir com interesses rasteiros para tentar prejudicar o governo é uma imbecilidade que pune apenas a população e os empresários brasileiros. Reafirmando que não quer guerra nem com a China, nem com os Estados Unidos, Lula mandou um recado direto afirmando que Donald Trump não é o imperador do mundo. O presidente confirmou que vai levar a crise para a próxima cúpula do G7, onde pretende denunciar o que chamou de desmonte das instituições internacionais e cobrar o fortalecimento do multilateralismo. Propostas de tarifas dos EUA contra Brasil são acumulativas? Presidentes Donald Trump e Lula em encontro na Casa Branca, em maio de 2026 Divulgação/Lula Um dia após o anúncio que o escritório da representação comercial dos Estados Unidos propôs uma taxa de 25% contra o Brasil, uma nova tarifa apresentada pelos EUA apareceu no horizonte. O mesmo escritório adicionou o país em uma taxa de 12,5% por falta de combate ao trabalho forçado. As duas retaliações econômicas de Washington tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio, que estipula uma investigação econômica contra países que estariam realizando práticas para dificultar o comércio americano. O Brasil foi incluído na faixa de maior tributação ao lado de parceiros comerciais como a China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido. É importante deixar claro que as tarifas ainda não são uma certeza. Elas foram propostas por um órgão do governo dos Estados Unidos, porém ainda passarão por audiência até julho e possuem a chance de resposta do governo brasileiro. Além disso, novas negociações podem ocorrer durante esse tempo para diminuir o valor. No entanto, caso ambas avancem, elas se acumulariam. O Brasil, então, passaria a ter taxas de 37,5% nos produtos importados, tirando aqueles listados pelos EUA como não tributáveis. Ficam isentos do imposto de importação produtos agropecuários como carne bovina, café, frutas tropicais, além de petróleo, minérios, terras raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos. A taxa conjunta se aproxima dos 40% adicionais anunciados pelo governo Trump em 2025, junto ao tarifaço que estipulou 10% mínimo contra todos os países do mundo. Dessa forma, o Brasil chegou a ficar com tarifas de 50%.

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