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Tudo Pode Ser Visto: saiba tudo sobre o documentário que expõe um dos maiores escândalos do Vale do Silício

Produção acompanha a rotina da fundadora da Theranos, condenada por fraude, e explora suas contradições

Um dos documentários mais comentados do ano, Tudo Pode Ser Visto (You Can See Everything, no título original), acompanha a trajetória de Elizabeth Holmes, fundadora e ex-CEO da Theranos, empresa de tecnologia da saúde que prometia realizar centenas de exames a partir de uma pequena amostra de sangue.

Para entender a repercussão da produção e o fascínio em torno da empresária, que chegou a ser comparada a Steve Jobs, é preciso conhecer o contexto por trás de sua ascensão e queda. Holmes se tornou protagonista de um dos maiores escândalos do Vale do Silício após a revelação de que a tecnologia de sua empresa não entregava os resultados prometidos.

Quem é Elizabeth Holmes?

Responsável por um dos maiores escândalos financeiros do Vale do Silício, Elizabeth Holmes fundou a Theranos em 2003, aos 19 anos, após abandonar o segundo ano do curso de engenharia química na Universidade Stanford. O nome da empresa é uma combinação das palavras em inglês therapy (terapia) e diagnosis (diagnóstico). A proposta era revolucionar os exames médicos por meio de uma tecnologia capaz de realizar diversos testes com pequenas quantidades de sangue.

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Em 2009, Ramesh Balwani, conhecido como Sunny Balwani e cerca de 20 anos mais velho que Holmes, juntou-se à empresa e garantiu um empréstimo de US$ 10 milhões. Ele havia construído uma carreira na indústria de software e, após vender sua startup de comércio eletrônico, estava cursando um MBA.

A ascensão da Theranos atingiu seu auge em 2014, quando a empresa anunciou uma parceria com a rede de farmácias americana Walgreens. Naquele ano, Holmes foi apontada pela Forbes como uma das mulheres mais ricas dos Estados Unidos, com uma fortuna estimada em US$ 4,5 bilhões, calculada com base na avaliação da empresa.

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A situação começou a mudar em 2015, quando uma investigação do The Wall Street Journal questionou a capacidade dos equipamentos da Theranos de realizar os exames prometidos. As apurações revelaram problemas na tecnologia e resultados incorretos em testes realizados com pacientes, enquanto investidores haviam recebido informações enganosas sobre as capacidades dos equipamentos.

Em 2022, Holmes foi condenada por quatro crimes de fraude contra investidores e sentenciada a 11 anos e três meses de prisão. Ela começou a cumprir a pena em 2023.

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Do que trata o documentário?

Mais do que recontar a trajetória de Elizabeth Holmes, Tudo Pode Ser Visto propõe um retrato íntimo da fundadora da Theranos. O documentário começa nos 34 dias anteriores ao início de sua prisão, quando ela convida uma equipe de filmagem para registrar sua rotina. O acompanhamento, entretanto, acaba se estendendo por três anos.

A proposta é observar como Holmes se comporta no cotidiano, como se relaciona com a família e as pessoas de seu círculo social e de que maneira enxerga o mundo. A produção também levanta questionamentos sobre sua sinceridade e sobre como ela conseguiu conquistar a confiança de tantas pessoas durante tanto tempo.

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O projeto é conduzido sob o olhar de Nathan Fielder, conhecido por produções que exploram situações desconfortáveis e desafiam os limites entre realidade e encenação. Seu estilo coloca em dúvida até que ponto as pessoas diante das câmeras estão sendo espontâneas e o que pode estar sendo construído para quem assiste.

Quem são os responsáveis pelo documentário?

O documentário é dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim. Fielder ganhou notoriedade com produções como Nathan for You e O Ensaio, nas quais utiliza situações inusitadas para explorar o comportamento humano e os limites entre realidade e representação.

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Já Oppenheim chamou a atenção com Primetime, longa estrelado por Robert Pattinson que aborda os limites entre jornalismo, entretenimento e exploração da realidade.

Em Tudo Pode Ser Visto, Fielder interage diretamente com Holmes, enquanto divide a direção com Oppenheim. A combinação entre a abordagem peculiar de Fielder e o olhar documental de Oppenheim resulta em uma produção que busca explorar as contradições de uma das figuras mais controversas do Vale do Silício.

Por que o documentário está sendo tão aclamado?

A repercussão de Tudo Pode Ser Visto reúne diferentes fatores: a trajetória controversa de Holmes, o estilo singular de Fielder e a curiosidade em torno de uma figura que, durante anos, conseguiu convencer investidores e conquistar espaço entre grandes nomes do setor de tecnologia.

A recepção da crítica também contribui para o interesse pelo filme. No Rotten Tomatoes, a produção acumula atualmente 98% de aprovação da crítica especializada. Entre as avaliações positivas, há quem destaque o caráter perturbador e envolvente da narrativa.

Se você tem algum receio de ficar entediado durante um filme de três horas, garanto que isso não acontecerá. Fielder criou algo totalmente original aqui, escreveu Max Weiss, da Baltimore Magazine.

A produção chamou a atenção após uma exibição surpresa no Festival de Telluride, nos Estados Unidos, e ganhou força com a repercussão entre os espectadores. No Letterboxd, o documentário alcançou a nota 4,8 de 5, tornando-se o filme mais bem avaliado da história da plataforma até aquele momento.

Filmado ao longo de três anos, Tudo Pode Ser Visto também chamou a atenção pelo desempenho comercial nos Estados Unidos. Segundo informações publicadas pela imprensa americana, o documentário custou menos de US$ 7 milhões para ser produzido, enquanto os gastos com marketing ficaram abaixo de US$ 10 milhões.

Quando estreia no Brasil?

Tudo Pode Ser Visto chega aos cinemas brasileiros em 26 de novembro. Antes do lançamento comercial, o documentário será exibido na sessão de encerramento da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, marcada para quinta-feira, 29 de outubro, às 18h, no Teatro Cultura Artística.

Assista ao trailer:

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Fonte: veja.abril.com.br

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