Preso desde 2022, ele ganhou liberdade após pedido direto do presidente dos EUA, Donald Trump, a Vladimir Putin
A Rússia libertou nesta quarta-feira, 21, o professor americano aposentado Stephen Hubbard, de 74 anos, que estava preso desde 2022 sob a acusação de lutar ao lado das forças ucranianas.
O anúncio foi feito pelo presidente russo, Vladimir Putin, durante uma reunião com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, em São Petersburgo. Segundo o Kremlin, Hubbard deixou a prisão e estava no aeroporto de Pulkovo, de onde seguiria para seu país de origem.
A libertação ocorreu após um pedido feito diretamente pelo presidente americano, Donald Trump, a Putin, durante uma conversa telefônica na semana passada. Em publicação na rede Truth Social, o republicano comemorou a decisão e afirmou que Washington não precisou entregar nenhum prisioneiro em troca, diferentemente do que ocorreu em negociações anteriores com Moscou.
Durante o encontro, Witkoff também agradeceu ao líder russo pela libertação do americano. “Graças a você, ele está voltando para casa, para sua família”, declarou.
A soltura ocorre em meio a uma nova tentativa diplomática de Washington para encerrar a guerra na Ucrânia. Durante sua visita à Rússia, Witkoff apresentou propostas para a retomada das negociações entre Moscou, Kiev e os Estados Unidos, depois de ter se reunido com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Noruega, na terça-feira. Apesar da aproximação entre Trump e Putin, as divergências sobre os territórios ocupados pela Rússia continuam sendo um dos principais obstáculos para um acordo de paz.
Quem é Stephen Hubbard?
Natural de Michigan, Hubbard serviu à Força Aérea e à Guarda Nacional dos Estados Unidos antes de seguir carreira como professor de inglês. Ele viveu durante 25 anos no Japão, passou pelo Chipre e, em 2014, se mudou para Izium, no leste da Ucrânia, acompanhado de uma parceira ucraniana. Segundo sua irmã, Patricia Hubbard Fox, ele levava uma vida discreta, sustentada por uma aposentadoria de aproximadamente 300 dólares mensais.
A trajetória do americano mudou com a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Dois meses depois, quando tropas de Moscou ocuparam Izium, Hubbard foi capturado. As autoridades russas alegaram que ele havia ingressado em uma unidade de defesa territorial ucraniana, recebido armamentos e treinamento militar e atuado em um posto de controle. Em outubro de 2024, após um julgamento a portas fechadas, um tribunal de Moscou o condenou a seis anos e dez meses de prisão por lutar como mercenário na Ucrânia.
+ Vídeo: Ucrânia usa drone em operação inédita para resgatar soldado ferido na linha de frente
As acusações, entretanto, foram contestadas pela família e pela defesa do americano. Embora a imprensa estatal russa tenha informado que Hubbard admitiu a culpa, seu advogado nos Estados Unidos, Martin De Luca, afirmou à agência de notícias Reuters que ele negou qualquer participação em atividades militares. A irmã também questionou a versão de Moscou, argumentando que o professor aposentado manifestava opiniões favoráveis à Rússia e dificilmente teria decidido combater o país aos 70 anos.
Durante a detenção, as autoridades russas impediram visitas consulares americanas, e os familiares de Hubbard denunciaram episódios de violência e maus-tratos. Em janeiro de 2025, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou oficialmente sua prisão como injusta.
Fonte: veja.abril.com.br