Aviões de combate Typhoon farão missões defensivas contra mísseis e drones; Londres também enviará assessores militares e ampliará o apoio logístico a Riad
O Reino Unido anunciou nesta terça-feira, 20, o envio de caças para ajudar a proteger a Arábia Saudita de ataques dos rebeldes hutis, do Iêmen, alinhados ao Irã. As aeronaves Typhoon da Força Aérea Real britânica realizarão missões defensivas para interceptar ameaças aéreas e proteger cidades e infraestruturas estratégicas sauditas. Segundo o Ministério da Defesa britânico, os aviões não farão ataques ofensivos contra o grupo.
Além dos caças, o governo britânico enviará um avião de transporte militar A400M, destinado à movimentação de equipamentos, e assessores para auxiliar oficiais sauditas. Londres também prorrogou por mais 90 dias o apoio de reabastecimento aéreo às operações defensivas do reino, que inclui ações contra alvos militares hutis no Iêmen que representem uma ameaça à Arábia Saudita e à população iemenita.
Intensificação da ofensiva huti
A decisão amplia o apoio militar britânico à Arábia Saudita em meio à intensificação dos ataques com mísseis e drones. Nas últimas semanas, os hutis atingiram alvos estratégicos do reino, incluindo instalações petrolíferas e aeroportos. Em 10 de outubro, um ataque ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, deixou ao menos 12 mortos e mais de 300 feridos, segundo a autoridade saudita de aviação civil.
O ataque ao aeroporto de Riad, em particular, demonstra até onde os hutis estão dispostos a ir para agravar a situação na região, afirmou o secretário de Defesa britânico, Wes Streeting, em comunicado.
A disputa também tem implicações para o comércio internacional. Nas últimas semanas, os hutis avançaram em áreas estratégicas do litoral do Mar Vermelho, nas proximidades do estreito de Bab al-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao golfo de Áden, entre o Iêmen e o Chifre da África. A passagem é um corredor fundamental para navios que fazem a ligação entre a Ásia e a Europa pelo Canal de Suez.
Ameaças à navegação nessa região podem provocar desvios de rotas, encarecer o transporte de mercadorias e afetar o fluxo global de energia.
Com apoio aéreo saudita, forças do governo iemenita tentam recuperar os territórios perdidos. Os combates, porém, seguem intensos, e os ataques com mísseis e drones mantêm a pressão sobre as tropas governistas e seus aliados. Na segunda-feira, 19, um míssil balístico atribuído aos hutis atingiu um campo de treinamento militar na província de Shabwa, no sudeste do Iêmen. O ataque matou ao menos 53 integrantes recém-recrutados das forças governamentais e deixou mais de 200 feridos, segundo relatos divulgados após o episódio.
A missão dos Estados Unidos no Iêmen condenou o bombardeio e acusou a milícia, apoiada pelo Irã, de atacar iemenitas que haviam se voluntariado para proteger suas comunidades e seu país. O episódio reforça o risco de agravamento de uma guerra que, além de opor os rebeldes às forças governamentais, envolve interesses de potências regionais e internacionais.
Fonte: veja.abril.com.br