Mais de 76% dos eleitores votaram pela permanência no país, em derrota para o movimento separatista apoiado por aliados de Trump
A população da província de Alberta, no Canadá, rejeitou uma proposta para iniciar um processo de independência. Com mais de 1,5 milhão de votos apurados, cerca de 76% dos eleitores votaram a favor de permanecer no país, enquanto aproximadamente 24% defenderam a abertura de um caminho para a separação, segundo os resultados preliminares divulgados nesta terça-feira, 20.
A consulta popular, realizada na segunda-feira 19, não determinava diretamente a independência de Alberta. Os eleitores precisavam decidir se a província deveria continuar integrando o Canadá ou se iniciariam os procedimentos legais para organizar um segundo referendo, desta vez vinculante, sobre a separação. A questão era uma das dez submetidas à população, que também votou em temas relacionados à imigração e à administração provincial.
Carney x Trump
A votação representa uma vitória para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos e às ameaças de anexação feitas pelo presidente americano, Donald Trump.
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Após a divulgação dos primeiros resultados, Carney comemorou a decisão e afirmou que os cidadãos de Alberta “fizeram uma escolha clara”. “Eles escolheram a unidade para construir juntos e cuidar uns dos outros”, escreveu ele no X (ex-Twitter).
O premiê, que cresceu na província, já havia alertado para os riscos de instabilidade política e econômica decorrentes de uma eventual tentativa de separação, especialmente diante da guerra comercial conduzida por Trump contra o Canadá.
A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, por sua vez, disse que votou contra a independência, mas que convocou o referendo para encerrar a questão que dividia a província.
Movimento separatista
O movimento separatista de Alberta ganhou força nos últimos anos, impulsionado principalmente pelo descontentamento com as políticas energéticas do governo federal. Rica em petróleo, a província concentra parte importante da produção canadense e mantém uma relação historicamente conflituosa com Ottawa. Entre os separatistas, há críticas às medidas ambientais adotadas pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau, acusado de prejudicar a indústria petrolífera local.
A campanha pela independência também atraiu figuras próximas a Trump. O bilionário Elon Musk defendeu publicamente a separação de Alberta, enquanto representantes do movimento separatista realizaram encontros com políticos republicanos e participaram de reuniões no Departamento de Estado americano.
Apesar da derrota nas urnas, lideranças independentistas sinalizaram que pretendem continuar defendendo a separação.
Fonte: veja.abril.com.br