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Protestos na França levam 500 mil às ruas, deixam um morto e 1.800 presos

Manifestações contra o alto custo de vida registraram saques e incêndios no fim de semana. Emmanuel Macron disse que não há 'espaço para violência'

A França amanheceu neste domingo, 18, contabilizando os estragos de um dos episódios mais violentos de distúrbios dos últimos anos. Protestos contra o aumento do custo de vida e a precarização dos serviços públicos terminaram com um manifestante morto, mais de 500 policiais feridos e quase 1.800 pessoas presas, segundo informações divulgadas pela agência Reuters.

As manifestações reuniram mais de 500 mil pessoas em dezenas de cidades francesas no sábado, 17. Embora grande parte dos atos tenha ocorrido pacificamente, grupos violentos entraram em confronto com a polícia, saquearam estabelecimentos comerciais e atacaram prédios públicos. Em Limoges, no sudoeste do país, a prefeitura, um edifício histórico de 143 anos, foi incendiada e parcialmente destruída.

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Como a violência se espalhou pelo país?

Em Paris, a polícia realizou 855 prisões, número recorde, segundo a Reuters. Vitrines de lojas foram quebradas, bicicletas incendiadas e muros pichados. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que mais de 500 agentes ficaram feridos em todo o país e que centenas de estabelecimentos comerciais sofreram danos.

A violência também atingiu outras cidades. Em Bordeaux, uma multidão mascarada invadiu a residência do representante local do Estado, e até cem lojas teriam sido saqueadas, segundo o prefeito Thomas Cazenave. Em Marselha, o prefeito Benoît Payan anunciou ajuda financeira emergencial para os comerciantes afetados.

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Em Limoges, o prefeito Guillaume Guérin afirmou à Reuters que houve uma intenção premeditada de incendiar a prefeitura e que as pessoas que estavam no interior do edifício temeram pela própria vida. Ele ameaçou renunciar caso a cidade não receba 1 milhão de euros para reparar os danos.

O que motivou os protestos?

A mobilização começou no mês passado, com estudantes denunciando as condições das escolas e a falta de professores em bairros periféricos de baixa renda. O movimento cresceu e passou a incorporar a insatisfação com a desigualdade, os cortes nos gastos públicos e a alta do custo de vida.

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A convergência entre o movimento estudantil e o descontentamento social mais amplo levou centenas de milhares de pessoas às ruas. Durante os atos, grupos violentos atacaram policiais e veículos oficiais, além de saquear boutiques de luxo e supermercados.

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Qual é a reação do governo?

A escalada da violência aumentou a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e seu governo, a menos de um ano da próxima eleição presidencial. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu os distúrbios à extrema esquerda e a criminosos.

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O ministro da Economia, Roland Lescure, prometeu apoio aos empresários prejudicados. Em comunicado, afirmou que os responsáveis pelos atos de vandalismo deverão pagar pelos danos e responder por suas ações.

A rede varejista Carrefour também relatou prejuízos. Segundo seu presidente-executivo, Alexandre Bompard, 50 lojas da empresa foram danificadas, das quais 20 foram saqueadas. As perdas, afirmou ele à emissora BFMTV, chegam à casa das dezenas de milhões de euros.

Macron deverá se pronunciar à nação neste domingo, às 20h, no horário local, segundo informou seu gabinete. Enquanto equipes de limpeza trabalham nas cidades atingidas, o governo enfrenta o desafio de responder à onda de insatisfação social e aos danos provocados pela violência.

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Fonte: veja.abril.com.br

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