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Projeto integra palmeira juçara e cultivo de chá para recuperar a Mata Atlântica

Programa promove sistemas agroflorestais para recuperar áreas onde antigas plantações estavam abandonadas

No Vale do Ribeira, em São Paulo, agricultores passaram a adotar sistemas agroflorestais que integram o cultivo de chá-da-índia à palmeira juçara e a outras espécies nativas para recuperar áreas onde antigas plantações estavam abandonadas.

A iniciativa faz parte do Projeto SAF Juçara, coordenado pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).

Desenvolvido desde 2014, o programa promove sistemas agroflorestais que integram a palmeira juçara a atividades produtivas já existentes nas propriedades rurais.

A juçara também é conhecida como o açaí da Mata Atlântica.

Além da geração de renda com os frutos da espécie, a árvore fornece sombreamento natural para cultivos como o chá, favorecendo a qualidade da produção e a conservação do bioma.

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Desde o início do projeto, mais de 100 mil mudas de juçara foram plantadas em mais de 100 hectares, beneficiando 64 agricultores de municípios do Vale do Ribeira, entre eles Sete Barras, Registro, Pariquera-Açu, Tapiraí, Barra do Turvo, Cajati, Juquitiba, São Lourenço e Cananeia.

Segundo Ocimar José Baptista Bim e Luís Alberto Bucci, pesquisadores do IPA e coordenadores do projeto, os sistemas agroflorestais adotados pelo programa combinam espécies agrícolas e florestais em um mesmo espaço, favorecendo a recuperação ambiental e aumentando a diversidade das propriedades rurais.

O modelo integra a juçara a cultivos já presentes nas propriedades, como chá e banana, além da vegetação nativa. Essa diversidade melhora as condições do solo, fortalece a produção agrícola e contribui para a conservação da Mata Atlântica, explica Bucci.

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Para Ocimar, a experiência reforça o potencial dos sistemas agroflorestais como alternativa para fortalecer a agricultura e ampliar a conservação ambiental.

A integração entre espécies nativas e cultivos agrícolas cria sistemas mais equilibrados e sustentáveis. Além de contribuir para a recuperação da Mata Atlântica, esses modelos permitem que os agricultores obtenham produtos diferenciados e com potencial de maior valor agregado, destaca.

Entre janeiro e março de 2026, o projeto avançou para uma nova etapa de implantação, com o plantio de 6 mil mudas de palmeira juçara e 800 mudas de espécies arbóreas nativas em áreas localizadas principalmente no município de Cananéia, além de uma propriedade em Pariquera-Açu.

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As áreas contempladas estão inseridas na Floresta Ombrófila Densa e abrangem regiões de elevada importância ecológica, como a Área de Proteção Ambiental (APA) Cananéia-Iguape-Peruíbe, além do entorno da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Itapanhapima, das Reservas Extrativistas Mandira e Taquari e do Parque Estadual do Lagamar de Cananéia.

Família retomou produção de chá

Um exemplo bem-sucedido está no Sítio Yamamaru, em Sete Barras. A propriedade da família Yamamaru cultivou chá durante décadas, mas interrompeu as atividades na década de 1990 em razão da crise econômica. Com o passar dos anos, o antigo chazal foi gradualmente ocupado pela vegetação nativa.

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A mudança começou em 2011, quando o produtor Kazutoshi Yamamaru conheceu o pesquisador Guenji Yamazoe do IPA, que apresentou à família o Sistema Agroflorestal (SAF).

Em 2015, junto com suas irmãs, Miriam e Aurora Yamamaru, Kazu implantou o SAF no Sítio Yamamaru, com apoio da ONG Versta, e passou a produzir chá em sistema consorciado com a palmeira juçara, espécie nativa que oferece sombreamento natural e contribui para a sustentabilidade das plantações.

O sistema SAF nos mostrou o caminho correto. O consórcio entre a juçara e o chá deu muito certo, porque nosso produto é diferenciado em relação ao de outros produtores devido ao sombreamento proporcionado pela palmeira juçara e pelas árvores nativas da Mata Atlântica. Com isso, o chá apresenta sabor e aroma diferenciados, já que a concentração de L-teanina é maior quando as plantas de Camellia sinensis são cultivadas sob sombra, afirma Miriam.

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O sombreamento proporcionado pela juçara e pelas árvores nativas reproduz condições valorizadas na produção de chás especiais. Nessas circunstâncias, a planta concentra mais L-teanina, composto associado ao sabor adocicado e ao aroma característico da bebida, contribuindo para a diferenciação do produto no mercado.

Miriam, que também é bióloga, destaca que o modelo agroflorestal permitiu unir produção e conservação ambiental em uma mesma área. Hoje, além do chá e do fruto da juçara, a propriedade mantém cultivos de palmito-pupunha, lichia e mandioca, além de desenvolver atividades de turismo rural. Os visitantes podem, entre outras experiências, conhecer o cultivo do chá, acompanhar o processo artesanal de produção e participar de degustações.

Conhecimento compartilhado

Além das atividades de campo, o Projeto SAF Juçara investe na formação de agricultores, estudantes e técnicos. Todos os anos, estudantes da rede municipal de Sete Barras visitam as áreas de cultivo para conhecer, na prática, como a produção sustentável da juçara contribui para a conservação da Mata Atlântica e para a geração de renda das famílias rurais.

Ao longo dos anos, o projeto também resultou na produção da cartilha “Sistemas Agroflorestais com Juçara”, referência para agricultores e profissionais interessados em implantar esse modelo de produção sustentável.

O programa reúne uma ampla rede de parceiros, incluindo a Fundação Florestal, Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Iniciativa Verde, prefeituras municipais e produtores rurais.

A ONG Versta disponibiliza anualmente, em média, 60. 000 para a manutenção do projeto, incluindo a aquisição de mudas e insumos e a oferta de assistência técnica.

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Fonte: veja.abril.com.br

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