A Prefeitura do Rio exonerou nesta segunda-feira (19) Edvaldo Ferreira Borges, conhecido como Biscoito, após a Polícia Federal apontar suspeitas de envolvimento dele em um esquema de vazamento de informações sobre fiscalizações de postos de combustíveis. A investigação faz parte da oitava fase da Operação Unha e Carne, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de controlar uma rede de postos, formar cartel e lavar dinheiro. O esquema teria participação até

A Prefeitura do Rio exonerou nesta segunda-feira (19) Edvaldo Ferreira Borges, conhecido como Biscoito, após a Polícia Federal apontar suspeitas de envolvimento dele em um esquema de vazamento de informações sobre fiscalizações de postos de combustíveis. A investigação faz parte da oitava fase da Operação Unha e Carne, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de controlar uma rede de postos, formar cartel e lavar dinheiro. O esquema teria participação até de Márcio Canella, deputado eleito pelo União Brasil e preso na última quinta-feira. Edvaldo Ferreira Borges ocupava um cargo comissionado na Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, responsável pelo Procon Carioca. Segundo a representação da Polícia Federal, ele teria repassado informações sigilosas sobre operações de fiscalização a pessoas ligadas ao grupo investigado. A suspeita é de que os dados permitiam aos responsáveis pelos postos saber antecipadamente quando e onde os fiscais atuariam. A investigação identificou comunicações entre o advogado Diogo Pacheco do Couto e Pablo Jukiá Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, apontado pela PF como operador de uma rede de postos de combustíveis. De acordo com os investigadores, o advogado transmitia a Pablo informações obtidas junto a servidores públicos sobre operações ainda não realizadas. O advogado também teria enviado um documento com informações sobre o veículo utilizado pelos fiscais, o que, para a PF, indica possível monitoramento dos meios empregados pelo órgão. A representação da PF aponta Edvaldo Ferreira Borges como um dos contatos que teriam permitido o acesso antecipado a essas informações. Em nota, a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor afirmou que realizou 822 fiscalizações desde novembro de 2025, resultando na interdição de 31 postos que foram flagrados no ato do roubo de gasolina. A pasta disse ainda que não compactua com qualquer prática ilícita ou desvio de conduta no serviço público. Informações também vinham de estrutura estadual A investigação aponta que o esquema não se limitava ao Procon Carioca. Segundo a PF, informações sobre operações do Procon-RJ e da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) também chegavam antecipadamente a integrantes do grupo. Um dos nomes citados é Luiz Ricardo Estevam Lima, conhecido como Tchetcheco Trindade, ligado ao projeto Balcão do Consumidor. De acordo com a representação, em 15 de abril Diogo informou Pablo sobre uma fiscalização do Procon prevista para o dia seguinte, em São Gonçalo. A PF também relata outros episódios, em abril e maio, nos quais informações sobre fiscalizações teriam sido repassadas antes das operações. As suspeitas se baseiam em mensagens, documentos e registros de comunicação reunidos durante a investigação. A PF ainda aponta suspeitas de proteção institucional ao grupo, atribuídas ao ex-secretário de Polícia Civil Marcus Vinicius Amim Fernandes, que ocupou anteriormente a presidência do Detran-RJ. Na representação, os investigadores descrevem Amim como alguém que teria garantido proteção policial à organização por meio de sua influência em estruturas públicas. Ele foi preso na operação. A CBN tenta contato com as defesas dos investigados para uma posição sobre o caso.
Fonte: cbn.globo.com