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Por que a Espanha liberou 1,5 milhão de mosquitos infectados para barrar a dengue

Conhecido como mosquito-tigre-asiático, espécie de Aedes está em crescimento em dezenas de países europeus

Uma ação coordenada pela Agência de Saúde Pública de Barcelona liberou na cidade espanhola mais de 1,5 milhão de machos do mosquito-tigre-asiático (Aedes albopictus), transmissor de dengue e chikungunya. Os insetos foram infectados com a bactéria Wolbachia sp, que impede o desenvolvimento desses vírus dentro dele, com o objetivo de impedir a reprodução e, consequentemente, a transmissão das doenças.

Quando os machos da espécie acasalam com as fêmeas que não carregam a mesma variedade da bactéria, ocorre incompatibilidade reprodutiva e os ovos fertilizados não eclodem. Outro cenário é o acasalamento entre machos e fêmeas ambos portadores da Wolbachia: os descendentes herdam a bactéria e passam para seus descendentes. Ao longo das gerações, a população de mosquitos infectados com os vírus vai diminuindo. A Wolbachia é uma bactéria natural encontrada em cerca de metade dos insetos do planeta – mas ausente no Aedes aegypti, por exemplo.

A experiência espanhola é pioneira na Europa em escala urbana e pretende soltar 80 mil novos machos por semana. O mosquito-tigre-asiático já se estabeleceu em dezenas de países europeus e segue em crescimento. A medida é um complemento aos métodos tradicionais de combate ao Aedes.

No Brasil, o chamado Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz, com primeiros testes em 2014. Os resultados consolidados de cidades pioneiras como Niterói, no Rio de Janeiro, apontam para uma redução expressiva de cerca de 70% nos casos de dengue, de 60% para chikungunya e 40% para zika. Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, foi observada uma diminuição acima de 63% na dengue em áreas onde a população de Wolbachia atingiu níveis estáveis. Campinas, em São Paulo, foi selecionada pelo Ministério da Saúde para novos experimentos em 2027.

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Fonte: veja.abril.com.br

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