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O que diz a investigação da Reuters sobre as ondas de calor gigantescas que assolam o planeta

Mapeamento da temperatura do planeja nas últimas décadas apontou a existência de 'tempestades de calor' sem precedentes

Nos últimos 65 anos, as ondas de calor deixaram de ser eventos esporádicos, e passaram a acontecer de maneira recorrente, cobrindo cada vez mais áreas do planeta. É um que indica um novo levantamento da Reuters, que comparou a força e abrangência do fenômeno entre hoje e um passado não tão distante — sugerindo a existência da chama “tempestade de calor”.

Em termos simples, uma onda de calor é caracterizada por um período de cinco ou mais dias consecutivos de temperaturas anormalmente altas, 10% superior acima da média histórica. A partir disso, a investigação estabeleceu uma “tempestade de calor” como ondas gigantescas, cujo pico cobrem ao menos 1% de todo o globo. 

A partir disso, a investigação ouviu dezenas de meteorologistas e pesquisadores climáticos, e reuniu as temperaturas do planeta de cada dia desde 1960. Segundo os dados, tempestades de calor eram raras na década de 1960, com uma média de cinco por ano. Na década atual, o levantamento aponta para uma m-média anual de 102 ocorrências do fenômeno. 

Gráfico de área mostrando a porcentagem média do planeta coberta por tempestades e ondas de calor por mês, de 1960 a 2020. A área em roxo indica valores acima da média histórica, enquanto a área cinza representa valores abaixo. Há um aumento significativo nas áreas roxas a partir dos anos 2000, com picos mais altos e frequentes, especialmente após 2010, atingindo quase 30% em 2020. O gráfico também aponta eventos El Niño e a norma histórica de 1961-1990

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Além de mais frequente, esse fenômeno ganhou também intensidade e abrangência. A maior onda de calor da década de 1960 atingiu cerca de 6% do planeta, deslocando-se durante 46 dias sobre o Oceano Atlântico, partes da América Latina e da África Ocidental. Já a maior da década atual varreu quase 85% do globo durante um ano inteiro, afetando praticamente todos os seres humanos na Terra.

Com o aumento da sua frequência ao longo das décadas, as tempestades e ondas de calor contribuíram para efeitos sistémicos duradouros, agravando secas e intensificam os incêndios. Os dados da Reuters apontam que, na década de 1960, as tempestades de calor representavam, em média, 3% do ano em qualquer local do planeta. Hoje, este número chega a 43%. O El Niño, definido pelo aquecimento das águas do pacífico, atua como um acelerador, intensificando o fenômeno.

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Dois mapas-múndi comparam ondas de calor. O primeiro, de 1969, mostra áreas vermelhas no Atlântico, África e Brasil. O segundo, de 2023, exibe vastas regiões em tons de vermelho e roxo, indicando calor intenso globalmente, com destaque para América do Norte, Europa, Ásia e Austrália
De 1960 à década de 2020: aumento de abrangência e intensidade das chamadas tempestades de calorReuters/Reprodução

Outro fenômeno preocupante é que as ondas e tempestades de calor passaram a, cada vez mais, se sobrepor uma às outra. Nos últimos 20 anos, diversas delas ocorrem simultaneamente, ou de maneira sequêncial, formando as chamadas cascatas de tempestades de calor.

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Desde 2008, por exemplo, elas formam sem trégua, variando de local ou período. Nesse período de 18 anos, pelo menos uma tempestade de calor tem assolado o planeta. No quase meio século entre 1960 e o início da atual sequência, apenas cinco delas atingiram um tamanho máximo superior a um décimo do planeta, número que já chega a 56 na sequência atual — e que tende a aumentar nos proximos anos. 

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Fonte: veja.abril.com.br

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