CEO receberá ações que poderá vender sem perder o controle da empresa caso eleitores aprovem taxação de 5% sobre grandes fortunas em novembro
A Meta fechou um acordo com Mark Zuckerberg para mantê-lo na Califórnia por pelo menos oito anos. Em troca, o CEO poderá receber ações sem direito a voto que poderá vender para pagar um eventual imposto sobre sua fortuna, sem comprometer seu controle sobre a empresa. A medida busca evitar que o bilionário deixe o estado caso os eleitores aprovem, em novembro, uma proposta de tributação de grandes fortunas.
O acordo foi divulgado nesta quarta-feira, 21, em um documento enviado aos órgãos reguladores do mercado financeiro, junto com os resultados trimestrais da companhia. A proposta prevê a criação de uma nova categoria de ações sem direito a voto, que permitirá a Zuckerberg obter liquidez sem reduzir sua participação no controle da Meta.
A iniciativa ocorre às vésperas da votação da Proposta 40, que prevê um imposto único de 5% sobre o patrimônio de bilionários que residiam na Califórnia em 1º de janeiro de 2026. Caso aprovada, a medida deverá destinar 90% da arrecadação à saúde pública.
Com uma fortuna estimada em cerca de 240 bilhões de dólares, Zuckerberg poderia enfrentar uma conta tributária bilionária. Segundo documentos da Meta, o executivo chegou a considerar a possibilidade de transferir sua residência principal para fora da Califórnia para evitar a cobrança.
A empresa afirmou que a eventual venda de ações com direito a voto para quitar o imposto poderia reduzir a participação de Zuckerberg no controle da companhia. No fim de 2025, ele detinha mais de 342 milhões de ações da Meta e concentrava cerca de 60% do poder de voto.
Pelo acordo, o executivo poderá vender uma parcela das novas ações sem direito a voto sem comprometer esse poder. A Meta também prevê a distribuição de ações aos demais acionistas e anunciou um desdobramento de seus papéis previsto para janeiro de 2027.
Resultados sob pressão
A Meta superou as expectativas dos investidores em receita no terceiro trimestre, mas registrou impacto negativo nos resultados devido a despesas jurídicas. A companhia contabilizou uma cobrança de aproximadamente 9,9 bilhões de dólares relacionada a processos judiciais envolvendo redes sociais.
A votação da Proposta 40 está marcada para 3 de novembro, quando os eleitores da Califórnia também participarão das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. A medida prevê a cobrança extraordinária sobre grandes fortunas, com o objetivo de ampliar o financiamento de serviços públicos, sobretudo na área da saúde.
A proposta enfrenta resistência de parte do setor de tecnologia, que argumenta que a taxação pode estimular a saída de empresários e investidores do estado. Entre os bilionários que já teriam tomado medidas para deixar a Califórnia estão Sergey Brin e Larry Page, cofundadores do Google, além de Peter Thiel, cofundador do PayPal e da Palantir.
Fonte: veja.abril.com.br