Com novos personagens e história independente, segunda temporada da série da Netflix mergulha na mitologia de Night City e preserva animação de qualidade
Quando o jogo Cyberpunk 2077 foi lançado no final de 2020, ele veio cheio de problemas técnicos que a produtora CD Projekt Red demorou meses para conseguir consertar e recuperar a confiança dos fãs.
Parte muito positiva dessa ‘tour de desculpas’ foi o excelente desenho animado Cyberpunk: Mercenários (Edgerunners, no original em inglês), uma produção do aclamado Studio Trigger, do Japão, que apresentou uma história original intensa e representada por uma animação de qualidade eletrizante lançada só na Netflix.
Quatro anos depois, o raio cai novamente no mesmo lugar com a sequência Mercenários 2, que apresenta um elenco totalmente novo e carece do impacto surpreendente do original, mas preserva uma qualidade técnica imbatível enquanto mergulha mais fundo neste universo distópico e ajuda a preparar ainda melhor o terreno para o anunciado filme live-action em produção pela Paramount e ainda sem elenco e data de lançamento revelados.
Mercenários 2 preserva alguns pilares que sustentaram a história do predecessor. É um conto fechado sobre um grupo diverso de figuras exóticas que habitam a metrópole fictícia de Night City, uma enorme cidade cidade dominada por grandes corporações que lidam com tecnologia em todas as pontas, desde bens de consumo até equipamentos militares e implantes biológicos.
No coração da trama está a relação impossível de admiração e carinho entre duas pessoas, o que aqui se desdobra de mais formas. O primeiro Mercenários tinha o trágico casal David e Lucy, enquanto a sequência mostra mais iterações – garoto e garota, pai e filha, humano e… inteligência artificial!?

De forma geral, Mercenários 2 é praticamente uma rima à primeira temporada, recriando momentos e movimentos, mas trazendo interpretações novas e próprias. Falo de maneira mais geral e ampla para evitar spoilers, mas é importante destacar que esta nova temporada se trata de uma história totalmente independente, que pode ser apreciada sozinha, mas que ganha novos contornos caso você conheça também a história anterior.
No aspecto gráfico, é novamente um show do Studio Trigger, uma das produtoras mais aclamadas e experimentais da indústria japonesa de anime. A jornada de Mercenários 2 explora mais a fundo elementos únicos do universo de Cyberpunk, especialmente o transtorno mental fictício da ciberpsicose, que dá aos artistas da casa uma grande liberdade para retratar elementos com estilos artísticos muito diferentes. É um espetáculo visual de assistir!
Esta segunda temporada cava mais a fundo na mitologia fascinante do universo de Cyberpunk, elaborando em cima de conceitos mais abstratos, mas isso também vem ao custo de uma história com menos intensidade do que a anterior. Mercenários 1 tem uma reta final alucinante com pontos de tensão memoráveis que fizeram a fama da série. Esta sequência também tem um clímax caprichado, mas não é uma montanha-russa tão ousada quanto o original.
Seja como for, fica claro como Cyberpunk é um terreno fértil para histórias de temas e estilos visuais dos mais variados. Funciona nos jogos eletrônicos, nos RPGs de mesa, nas séries de animação e tudo indica um futuro brilhante também para filmes com atores reais no cinema.
Cyberpunk: Mercenários 2 tem 10 episódios e já está disponível com legendas e dublagem em português no serviço de streaming Netflix.
Fonte: veja.abril.com.br