Líder da oposição venezuelana foi recebida por milhares de apoiadores e seguiu em uma caravana até a capital Caracas
A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, retornou à Venezuela neste domingo, 25, após quase um ano no exílio. Ela foi recebida por milhares de apoiadores e seguiu em uma caravana até a capital Caracas, onde chegou à noite.
Estou aqui. Com vocês, escreveu Machado no X, antigo Twitter. Segundo fontes de seu partido, o Vente Venezuela, a líder oposicionista já havia tentado, sem sucesso, regressar ao seu país pelo menos sete vezes. Ela não informou por onde cruzou a fronteira.
A primeira aparição pública de María Corina ocorreu pela manhã, na igreja de Santa Rosa, em Barquisimeto, a cerca de 400 quilômetros da capital. De camiseta branca e calça jeans, Machado entrou no templo cercada por seguidores, alguns deles chorando.
Aqui está o seu povo, María e Nós te amamos, gritavam os apoiadores, segundo imagens divulgadas por sua equipe. Ao deixar a igreja em uma caminhonete, ela foi acompanhada por milhares de pessoas dentro de carros e motos no trajeto até Caracas.
Machado havia deixado a Venezuela em dezembro de 2025 para receber o Nobel da Paz, depois de passar um período na clandestinidade em meio à repressão que se seguiu a contestada eleição presidencial de 2024. Seu retorno acontece nove meses após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar realizada pelos Estados Unidos, que levou Delcy Rodríguez à Presidência interina.
Questionado sobre a chegada da opositora, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que não tinha conhecimento do retorno e manifestou preocupação com sua segurança.
Não sei nada sobre isso, mas acho que ela é uma mulher muito agradável. Ela me deu seu Prêmio Nobel, então como posso dizer outra coisa? E espero que esteja em segurança. Estamos indo muito bem na Venezuela, declarou.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, atribuiu o retorno de María Corina ao processo de reconciliação desenvolvido na mesa de diálogo apoiada por Washington. As negociações entre uma parcela da oposição e o governo interino começaram em agosto, sob pressão dos Estados Unidos. Machado não foi convidada a participar, mas afirmou que não obstruiria as conversas.
O partido de María Corina pede a realização de eleições presidenciais em 2027. Delcy Rodríguez, por sua vez, afirmou que serão realizadas eleições na Venezuela, mas não especificou uma data.
Fonte: veja.abril.com.br