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Macron chama de estúpidos comentários de líderes estrangeiros sobre distúrbios na França

Presidente francês sugere que Trump e Netanyahu exploram onda de violência no país para promover suas próprias agendas políticas

O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou nesta quarta-feira, 21, líderes estrangeiros que, segundo ele, estão explorando os distúrbios registrados no país no último fim de semana para promover suas próprias agendas políticas. Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, Macron acusou autoridades de reproduzir informações falsas sobre os episódios.

Durante uma entrevista coletiva em Doha, no Catar, o presidente francês afirmou que a circulação de imagens falsas e de informações enganosas sobre os acontecimentos deu origem a declarações inaceitáveis e estúpidas de dirigentes estrangeiros. 

Há dirigentes em campanha, seja na região ou do outro lado do Atlântico, que às vezes reproduzem ingenuamente o que aparece na inteligência artificial. Eles fazem campanha às nossas custas, afirmou Macron.

Na segunda-feira, Trump declarou que a França estava sendo conquistada, saqueada e incendiada por migrantes, jihadistas e comunistas. O republicano também instou Macron a fechar as fronteiras e combater a criminalidade. Netanyahu, por sua vez, afirmou que o país havia sido tomado pelo islamismo extremista.

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As declarações ocorreram após uma onda de manifestações contra a alta do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos, incluindo as condições de ensino.

Caos na França

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No sábado, 17, cerca de 500 mil pessoas participaram de protestos em diferentes cidades francesas, segundo estimativas das autoridades. O movimento começou com reivindicações estudantis e ganhou adesão de outros setores da população. Embora a maioria dos atos tenha transcorrido pacificamente, houve confrontos com policiais, saques a estabelecimentos comerciais e incêndios.

A polícia prendeu cerca de 2.400 pessoas no sábado, segundo os dados divulgados pelas autoridades. A dimensão dos distúrbios levou o governo a reforçar as medidas de segurança. Na segunda-feira, 19, foram impostos toques de recolher em cidades afetadas pela violência, segundo informações divulgadas na ocasião.

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A mobilização reuniu estudantes, sindicalistas, integrantes do movimento dos Coletes Amarelos que ganhou força em 2018 contra o aumento dos combustíveis e a perda do poder de compra e ativistas de diferentes correntes políticas. As manifestações refletem a insatisfação com o encarecimento da vida e a qualidade dos serviços públicos.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, atribuiu os atos violentos à extrema esquerda. O partido França Insubmissa, porém, negou as acusações de ter organizado ou orquestrado a violência. O governo também apontou a participação de criminosos que teriam aproveitado os protestos para promover depredações e saques.

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Em Paris, 557 pessoas foram colocadas sob custódia policial em decorrência dos distúrbios, segundo dados divulgados pela promotora Laure Beccuau na terça-feira. Cerca de 300 já haviam comparecido perante um magistrado. De acordo com a promotora, nenhuma delas havia alegado motivação política.

Governo se prepara

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Diante do risco de novos episódios de violência, Lecornu anunciou uma mobilização policial em larga escala. Macron também convocou uma reunião com integrantes do governo e autoridades de segurança para avaliar os acontecimentos de sábado e discutir medidas para evitar novos distúrbios.

O governo enfrenta pressão para responder às reivindicações dos manifestantes. A insatisfação com o custo de vida e as condições oferecidas aos estudantes se soma às dificuldades políticas de Lecornu, cuja administração não dispõe de maioria parlamentar estável.

Contas públicas

Em minoria no Parlamento, o governo de Lecornu tenta preparar um ajuste significativo das contas públicas para 2027, ao mesmo tempo que enfrenta cobranças por medidas capazes de aliviar a perda de poder aquisitivo da população.

A alta dos custos de energia agrava o cenário, em meio às tensões no Oriente Médio. A viagem de Macron aos países do Golfo tem entre seus objetivos garantir o abastecimento de combustíveis e reduzir a pressão sobre os preços na França.

A instabilidade política também aumenta a preocupação dos investidores com a capacidade do país de administrar sua dívida. O encarecimento dos títulos públicos eleva os custos de financiamento do governo e pode restringir os recursos disponíveis para atender às demandas sociais.

Os distúrbios ampliam os desafios enfrentados por Macron nos últimos meses de seu mandato, às vésperas da eleição presidencial de 2027.

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Fonte: veja.abril.com.br

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