A imprensa francesa e europeia destaca nesta sexta-feira o debate final entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu rival conservador Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Globo. Os veículos antecipam que os dois candidatos devem tentar convencer eleitores indecisos a dois dias de um segundo turno disputado. A imprensa também repercutiu o resultado da última pesquisa eleitoral no Brasil, que aponta empate técnico entre os dois candidatos, com 50% das intenções de voto para

A imprensa francesa e europeia destaca nesta sexta-feira o debate final entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu rival conservador Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Globo. Os veículos antecipam que os dois candidatos devem tentar convencer eleitores indecisos a dois dias de um segundo turno disputado. A imprensa também repercutiu o resultado da última pesquisa eleitoral no Brasil, que aponta empate técnico entre os dois candidatos, com 50% das intenções de voto para cada um. Em uma matéria opinativa publicada pelo jornal Le Monde, líderes da esquerda francesa alertam para o perigo de uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro. O texto afirma que a disputa pela Presidência brasileira ganhou um significado que ultrapassa as fronteiras do país e que uma vitória da extrema-direita brasileira poderia contribuir para legitimar projetos políticos semelhantes na Europa, às vésperas da eleição presidencial francesa, marcada para abril de 2027. Entre os signatários do artigo estão Jean-Luc Mélenchon, fundador do partido França Insubmissa; Olivier Faure, primeiro-secretário do Partido Socialista; Marine Tondelier, dirigente dos ecologistas; e Fabien Roussel, secretário nacional do Partido Comunista Francês. Eles apresentam a eleição brasileira como parte de uma disputa política internacional. A ideia central do texto é que vitórias eleitorais da extrema-direita em diferentes países podem ajudar a tornar propostas ultraconservadoras mais aceitáveis em outras sociedades, reduzindo a percepção de que representam uma ruptura com os padrões democráticos. O peso do Brasil no cenário internacional ajuda a explicar a atenção dedicada pelos líderes franceses à eleição. A maior economia da América Latina tem influência nas relações diplomáticas regionais, nas negociações climáticas e no equilíbrio político do continente. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia alterar a orientação internacional de Brasília e aproximar o governo brasileiro dos Estados Unidos de Donald Trump. Essa possibilidade preocupa setores da esquerda francesa e europeia, que veem a cooperação internacional como parte da resistência ao avanço da extrema-direita no mundo.
Fonte: cbn.globo.com