Armando Mendonça é investigado em caso de irregularidades em fornecimento de materiais esportivos da Nike
A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido do Ministério Público (MP) pela prisão preventiva do vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça. A decisão proferida nesta quinta, 22, pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal da Barra Funda, negou o afastamento e a proibição do mandatário de frequentar o clube e falar com testemunhas. O mandatário é réu em processo que investiga irregularidades no fornecimento de materiais esportivos da Nike.
O MP apresentou o pedido depois da demissão de Marcelo Munhoes, ex-diretor de Tecnologia da Informação do clube, no dia 15 de outubro. O promotor Cássio Conserino sustentava que o desligamento do diretor, às vésperas da audiência de instrução do processo no dia 10 de novembro, evidenciaria risco à instrução criminal e possível coação no curso do processo. Munhoes teria apresentado elementos técnicos que contribuíram na identificação de indícios de apropriação indevida de materiais esportivos, segundo o promotor.
A juíza considerou que não houve interferência de Mendonça na demissão do funcionário, já que o desligamento da testemunha foi atribuído à Presidência da entidade e ocorreu em contexto político-eleitoral, sem demonstração de que o acusado tenha determinado, solicitado ou influenciado a decisão.
Também não há notícia de contato do acusado com a testemunha destinado a constrangê-la ou influenciar seu depoimento, completa a decisão. A proximidade entre a demissão e a audiência não é suficiente para comprovar risco à investigação, segundo a juíza.
O vice-presidente segue como réu do processo no qual é acusado de apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo nas investigações do sumiço de materiais esportivos da Nike no CT Joaquim Grava e no Parque São Jorge.
Em suas redes sociais, Mendonça se pronunciou após a decisão:
Aos meus filhos, à minha esposa, aos meus irmãos, aos meus amigos e a todos que confiam em mim.
Entrei na vida política do Corinthians por amor ao clube e pela vontade de contribuir com sua história. Desde pequeno, acompanhando meu pai na política da OAB, aprendi que divergências não precisam transformar pessoas em inimigas. Essa convicção continua comigo.
Sei quanto os últimos acontecimentos têm sido dolorosos para minha família. A exposição pública alcança também quem está ao nosso lado, sofre em silêncio e conhece nossa vida para além das manchetes.
Nunca imaginei enfrentar uma turbulência assim. Mas sigo com a mesma disposição que manifestei no dia da minha posse: a vida exige coragem. Hoje, essa coragem também está em manter a serenidade, responder com responsabilidade e confiar na Justiça.
Quem exerce uma função no Corinthians deve prestar contas e está sujeito à crítica. Tenho plena consciência disso. Cobrar explicações é legítimo. O cuidado que peço é que suspeitas não sejam tratadas como sentenças e que o direito de defesa seja respeitado também fora do processo.
A Justiça é serena, técnica, impessoal e responsável. O justiceiro é ruidoso, personalista, seletivo e seduzido pelo aplauso. A Justiça respeita o tempo da prova. O justiceiro se alimenta da suspeita. A Justiça protege a instituição sem destruir pessoas por conveniência. O justiceiro primeiro escolhe o culpado e depois procura uma narrativa que sustente a condenação pública. A Justiça exige provas, equilíbrio e responsabilidade. É assim que se protegem as pessoas e as instituições.
O Corinthians precisa de Justiça. Não de justiçamento.
Continuarei a apresentar meus esclarecimentos pelos meios adequados, com firmeza e respeito. Minha confiança na verdade e na Justiça permanece intacta.
À minha família e aos meus amigos, obrigado por estarem ao meu lado. Sigo de consciência tranquila, com coragem para enfrentar este momento e com o compromisso de honrar a confiança de vocês.
Fonte: veja.abril.com.br