Primeiro-ministro afirmou que destacamento policial para manifestações do próximo sábado será 'massivo' e defendeu 'retorno imediato à ordem'
O governo francês anunciou nesta terça-feira, 20, que enviará algumas forças militares para reforçar o policiamento durante protestos previstos para o próximo sábado.
“Vamos mobilizar a força Sentinelle, obviamente como substituto das forças de segurança interna… principalmente para liberar a polícia e os gendarmes em sua missão de manter a ordem”, declarou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, à Assembleia Nacional, acrescentando que a resposta a qualquer agitação será “firme”.
A declaração de Nuñez ocorre após o primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmar que o destacamento policial para as manifestações do próximo sábado seria “massivo” e que seu objetivo é um “retorno imediato à ordem”, depois do país viver, no último final de semana, alguns dos seus piores episódios de violência nas ruas dos últimos anos.
Lecornu também anunciou “novos toques de recolher” nesta terça-feira, alegando que essas medidas “contribuíram para a calma”. O premiê afirmou que o toque de recolher será implementado “onde a situação assim o exigir”, sem dar mais detalhes. Na segunda-feira 19, bairros de cidades como Paris, Lyon, Bordeaux, Lille e Nice ficaram bloqueados das 23h00 às 5h00 locais.
“Durante parte da noite havia helicópteros sobrevoando a área e verificando se não havia pequenos grupos se formando”, disse à agência de notícias AFP Sylvain Courant, morador do bairro de Les Halles em Paris. “É um pouco opressivo”, acrescentou.
Onda de violência
Na esteira de protestos estudantis que tomaram a França há quase um mês, novos setores sociais aderiram ao movimento e, no sábado 17, grupos radicais transformaram as marchas em cenas de guerra, com confrontos com a polícia, pilhagens e destruição de propriedade privada e prédios públicos.
As autoridades, acusadas de ter mobilizado um dispositivo policial insuficiente para lidar com a violência, prenderam mais de 2.500 pessosas no sábado. Dessas, 123 estão na prisão, seja à espera de julgamento ou já cumprindo as primeiras condenações, indicou o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, à rádio Europe 1.
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As autoridades atribuem os distúrbios a “pequenos grupos de extrema esquerda”, que se voltam contra os símbolos do Estado. A polícia prendeu um homem fichado como ativista de extrema esquerda por incendiar a Prefeitura de Limoges, informou a Promotoria. Quanto aos autores dos saques, as autoridades acusam “criminosos oportunistas”.
A polícia montou um dispositivo para identificá-los nos vídeos publicados nas redes sociais porque, como ironizou Lecornu na segunda-feira, são “gênios” que roubaram sem cobrir o rosto.
No Centro de Coordenação Operacional de Segurança (CCOS) dos transportes parisienses, dez pessoas tentam reconhecer os autores dos saques a partir de vídeos nas redes sociais e de câmeras de segurança.
Fonte: veja.abril.com.br