Steve Witkoff entregou documentos ao líder russo com 'ideias' para um possível acordo de paz na Ucrânia
O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, se reuniu nesta quarta-feira, 21, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em uma nova tentativa de avançar com as negociações para encerrar a guerra na Ucrânia.
No início da reunião, realizada em São Petersburgo, Witkoff entregou documentos ao líder russo com “ideias” para um possível acordo de paz e defendeu a retomada das negociações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos. O conteúdo integral das propostas não foi divulgado.
“Trouxemos documentos. São ideias para uma espécie de acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. O senhor poderá ler tudo isso com calma”, disse Witkoff a Putin, em declarações transmitidas pela televisão estatal russa.
À margem do encontro, a Rússia anunciou a libertação do professor americano aposentado Stephen Hubbard, de 74 anos, que estava preso desde 2022 sob a acusação de lutar ao lado das forças ucranianas. A soltura ocorreu após um pedido feito diretamente pelo presidente americano, Donald Trump, a Putin, durante uma conversa telefônica na semana passada.
A aproximação diplomática entre Washington e Moscou também ganhou contornos econômicos. Durante o encontro, Putin anunciou que um navio transportando 40.000 toneladas de diesel russo deve partir para os Estados Unidos nos próximos dias. O carregamento faz parte de um acordo anunciado por Trump no início de outubro, após a flexibilização de sanções contra o setor energético russo. A medida, criticada por Kiev e seus aliados, integra os esforços da Casa Branca para reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro.
Também nesta quarta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, propôs “congelar” a frente de batalha na guerra contra a Rússia como primeiro passo para iniciar negociações por um acordo de paz.
“Neste momento, precisamos congelar, e acredito que essa seja a maneira de encerrar esta guerra. Chamamos isso de cessar-fogo… congelar e parar”, disse Zelensky em entrevista à emissora americana Fox News.
Negociações ‘positivas’ com Zelensky
O encontro na Rússia ocorre um dia depois de o enviado de Trump se reunir com Zelensky em Oslo, na Noruega. A reunião foi organizada pelo primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, e pelo presidente finlandês, Alexander Stubb. Jared Kushner, genro de Trump e integrante da equipe americana de negociação, participou por videoconferência.
As conversas se deram em meio ao agravamento das tensões entre Washington e Kiev, após o governo ucraniano acusar os Estados Unidos de restringir o apoio militar e de inteligência necessário para enfrentar os ataques russos. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, rejeitou as acusações e as classificou como escandalosas.
A situação parece ter melhorado após a reunião de terça-feira, que Rubio chamou de “positiva”. “Nada inesperado”, mas “agora, com essas ideias, (Steve Witkoff) poderá ir a São Petersburgo e compartilhá-las com o lado russo”, afirmou.
Apesar do otimismo americano, persistem divergências sobre as condições para um eventual cessar-fogo. Moscou exige que Kiev abra mão de territórios no leste do país e renuncie à possibilidade de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O governo ucraniano, por sua vez, rejeita concessões territoriais e insiste na necessidade de garantias que impeçam novas ofensivas russas.
Fonte: veja.abril.com.br