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Desmatamento cai ao menor nível desde 1988 na Amazônia e no Cerrado

Estimativa do Inpe aponta redução de 42% na Amazônia e de 24% no Cerrado em um ano

A Amazônia perdeu 3.335 km² de vegetação entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A área é 41,8% menor que a do período anterior e a mais baixa da série, iniciada em 1988. No Cerrado, o desmatamento caiu 23,8%, para 5.516,69 km², também o menor resultado desde o início das medições do bioma, em 2001.

Na Amazônia, a taxa anual está 71% abaixo do nível de 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro. Naquele governo, o desmatamento cresceu cerca de 60%, segundo dados oficiais. A queda recente reverte parte desse avanço, mas não elimina a pressão sobre as florestas nem garante que a tendência continuará.

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A fiscalização voltou ao centro da política

O governo Lula retomou em 2023 o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, o PPCDAm. Criado em 2004, o programa havia sido descontinuado em 2020. Ele combina fiscalização, controle do uso da terra e incentivo a atividades econômicas sustentáveis.

O Ibama voltou a aplicar multas e embargar áreas desmatadas. O governo atribui parte da redução ao reforço dessas ações. A queda, porém, não pode ser explicada por uma única medida: ela também depende da atuação de estados e municípios e das condições econômicas que influenciam a abertura de novas áreas.

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O resultado da Amazônia divulgado pelo Inpe ainda é uma estimativa, calculada com as imagens prioritárias de satélite. A taxa consolidada será publicada posteriormente. No Cerrado, o dado já é consolidado. O monitoramento anual do Prodes considera o período de agosto a julho, e não mede todas as queimadas.

O que a queda representa para o clima

A redução da derrubada preserva vegetação que armazena carbono e ajuda a conter as emissões brasileiras. O Observatório do Clima, rede que reúne organizações ambientais, institutos de pesquisa e movimentos sociais, calcula que a redução dos alertas de desmatamento entre 2023 e 2026 evitou a emissão de 2,238 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa. O cálculo é da própria rede e considera os alertas do sistema Deter, que monitora mudanças na vegetação em tempo quase real.

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Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório, chamou o resultado de conquista histórica e afirmou que ele mostra que, com vontade política, é possível reduzir o desmatamento. A avaliação reforça a importância de manter a fiscalização e as políticas de proteção, especialmente diante da meta oficial de chegar ao desmatamento zero até 2030.

Essa meta não significa necessariamente proibir toda retirada de vegetação. Na definição do plano federal, ela prevê eliminar o desmatamento ilegal e compensar a supressão autorizada de vegetação nativa.

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A queda do desmatamento também não significa que o risco de fogo desapareceu. Os dados divulgados agora cobrem o período encerrado em julho; incêndios registrados nos meses seguintes não aparecem nessa taxa. Queimadas podem causar danos à floresta sem que toda a área atingida seja contabilizada como desmatamento.

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Fonte: veja.abril.com.br

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