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Déficit dos EUA chega a US$ 1,99 trilhão, maior em cinco anos

Gastos cresceram mais que a arrecadação no primeiro ano fiscal completo do segundo mandato de Trump

O governo dos Estados Unidos fechou o ano fiscal de 2026 com um déficit de US$ 1,99 trilhão (cerca de R$ 10,1 trilhões). Isso significa que as despesas superaram as receitas nesse valor. O resultado, divulgado pelo Departamento do Tesouro nesta sexta-feira (16), é o maior desde 2021 e o terceiro mais alto da série histórica.

O rombo cresceu US$ 217 bilhões (R$ 1,1 trilhão) em relação ao ano anterior. Embora a arrecadação tenha alcançado um recorde, as despesas aumentaram mais depressa: os gastos somaram US$ 7,40 trilhões (R$ 37,5 trilhões), alta de 6%, enquanto as receitas chegaram a US$ 5,40 trilhões (R$ 27,4 trilhões), avanço de 3%.

O ano fiscal americano não coincide com o calendário: começa em outubro e termina em setembro. O período divulgado é o primeiro ano fiscal completo do segundo mandato de Donald Trump.

Juros levam parcela maior do orçamento

Uma das principais pressões veio do custo de pagar os juros da dívida. Essa despesa chegou a US$ 1,36 trilhão (R$ 6,9 trilhões), 12% acima do ano anterior. O país acumula mais de US$ 40 trilhões em dívida (cerca de R$ 203 trilhões).

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Na prática, quanto maior a dívida e mais altos os juros, mais dinheiro público é usado para pagar credores. Os juros já são a terceira maior despesa do governo, atrás da Previdência Social e dos programas federais de saúde Medicare e Medicaid.

O Escritório de Orçamento do Congresso, órgão apartidário que analisa as contas públicas, já projetava déficits elevados nos próximos anos. A agência aponta o avanço dos juros como um dos fatores que dificultam a redução do rombo.

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Devolução de tarifas também pesou

A arrecadação com tarifas de importação ficou menor depois que a Suprema Corte derrubou parte das taxas impostas por Trump. O governo teve de devolver dinheiro a importadores: os reembolsos somaram cerca de US$ 145 bilhões (R$ 736 bilhões) no ano fiscal, segundo a Reuters.

As tarifas haviam sido apresentadas pelo governo como fonte de receita. Com as devoluções, o dinheiro que ficou nos cofres públicos foi menor. O caso também tornou mais incerto quanto o governo poderá arrecadar com essas taxas no futuro.

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Lei de Trump aumenta o debate sobre o déficit

O resultado reacende a discussão sobre a lei tributária e orçamentária sancionada por Trump em 2025. O Escritório de Orçamento do Congresso estimou que a legislação poderá acrescentar US$ 3,4 trilhões (R$ 17,2 trilhões) ao déficit acumulado ao longo de dez anos, principalmente porque prevê reduções de impostos maiores do que os cortes de despesas.

Essa é uma projeção para uma década, não uma conta atribuída integralmente ao déficit deste ano. O dado ajuda a dimensionar o desafio enfrentado pelo governo: reduzir o endividamento em meio a juros elevados e a despesas que continuam crescendo.

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Em setembro, último mês do ano fiscal, o governo gastou US$ 27 bilhões (R$ 137 bilhões) a mais do que arrecadou. No mesmo mês do ano anterior, havia registrado um saldo positivo de US$ 198 bilhões (R$ 1 trilhão).

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Fonte: veja.abril.com.br

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