A seis dias para o segundo turno das eleições presidenciais, as equipes de campanha de Lula e Flávio Bolsonaro já trabalham nos ajustes para o último debate, marcado para sexta-feira (23) na TV Globo. Flávio quer jogar mais seguro enquanto Lula deve focar no eleitor indeciso. As análises de bastidores e as pesquisas qualitativas das campanhas mostram que o primeiro confronto direto entre os dois candidatos não alterou a intenção de voto. Para os eleitores indecisos, sobrou provoc

A seis dias para o segundo turno das eleições presidenciais, as equipes de campanha de Lula e Flávio Bolsonaro já trabalham nos ajustes para o último debate, marcado para sexta-feira (23) na TV Globo. Flávio quer jogar mais seguro enquanto Lula deve focar no eleitor indeciso. As análises de bastidores e as pesquisas qualitativas das campanhas mostram que o primeiro confronto direto entre os dois candidatos não alterou a intenção de voto. Para os eleitores indecisos, sobrou provocação e faltaram propostas. A campanha do presidente Lula identificou que o petista não surpreendeu, mas Flávio decepcionou. Enquanto Lula pareceu cansado e demorou em se adaptar ao formato das câmeras, os indecisos consideraram a postura de Flávio muito artificial e mecanizado. Ficar atrás de Lula durante as falas do presidente chamou a atenção positivamente no início, mas terminou sendo visto como um gesto desrespeitoso e infantil, o que gerou rejeição entre os idosos e as mulheres. A avaliação interna é que Lula perdeu tempo rebatendo as acusações do adversário, em vez de focar no que pretende fazer em um eventual novo mandato. Além disso, propostas citadas por ele, como a exploração de terras raras, tiveram pouco apelo popular. Outro ponto que gerou debate nos bastidores foi o tom do presidente. Ao reagir irritado às provocações de Flávio Bolsonaro, Lula acabou passando uma imagem de raiva para os eleitores moderados. A diferença de 35 anos entre os dois candidatos era uma preocupação, e a avaliação foi de que o presidente caiu no jogo do adversário. Já do lado do senador Flávio Bolsonaro, a leitura dos aliados foi de que o candidato se expressou bem, conseguiu passar todas as mensagens usando uma linguagem simples, mas a equipe do senador também identificou falhas nas respostas. Flávio evitou posicionamentos diretos sobre temas sensíveis, e não respondeu se vai rever o fim da escala de trabalho de 6x1 e o rastreamento de munições. E a tática de escrever a palavra "corrupto" na mão para mostrar às câmeras dividiu opiniões: agradou os apoiadores nas redes, mas teve pouco efeito para conquistar quem ainda não decidiu o voto. Na última semana de campanha, Flávio foca nas viagens, o último ato de campanha será no sábado de manhã em MG e à tarde, no Rio de Janeiro, seu berço eleitoral. Enquanto isso, a campanha de Lula segue enfrentando dificuldades nas redes sociais e denuncia que a Meta restringiu o perfil @brasilcomlula por 24 horas e desabilitou a ferramenta de convidar colaboradores em publicação contra Flávio Bolsonaro.
Fonte: cbn.globo.com