Volker Türk lamentou tanto os atos de vandalismo quanto uma resposta por vezes 'excessiva' das forças de segurança
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou nesta terça-feira, 20, “todos os atos de violência” ocorridos durante manifestações dos últimos dias em vários países europeus, instando as partes envolvidas a “reduzirem as tensões”.
“As pessoas têm o direito de se manifestar pacificamente e de fazer ouvir a sua voz. Os Estados devem facilitar o exercício desses direitos”, afirmou Türk em comunicado. O representante da ONU lamentou tanto os atos de vandalismo quanto uma resposta por vezes “excessiva” das forças de segurança.
Segundo o comissário, protestos em massa na Albânia, Bélgica, França, Itália e Portugal estão levantando preocupações quanto aos direitos humanos.
Manifestações se espalham por diferentes países europeus, impulsionada sobretudo pela insatisfação com o custo de vida, o acesso à educação e à moradia e a precariedade dos serviços públicos. Com forte participação de jovens, os atos também refletem reivindicações específicas de cada país, como denúncias de corrupção e críticas a medidas dos governos.
Em muitos casos, os protestos terminaram em violência.
Nesta terça-feira, o governo francês anunciou que enviará algumas forças militares para reforçar o policiamento durante protestos previstos para o próximo sábado.
A declaração de Nuñez ocorre após o primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmar que o destacamento policial para as manifestações do próximo sábado seria “massivo” e que seu objetivo é um “retorno imediato à ordem”, depois do país viver, no último final de semana, alguns dos seus piores episódios de violência nas ruas dos últimos anos.
Na Bélgica, estudantes protestaram contra o aumento dos custos da educação e mudanças que, segundo eles, podem dificultar o acesso ao ensino superior.
Em Portugal, manifestantes montaram acampamentos em Lisboa para denunciar o encarecimento da moradia, enquanto na Albânia os atos contra o governo do primeiro-ministro Edi Rama foram marcados por confrontos com a polícia e acusações de corrupção.
Na Espanha, mobilizações contra o preço da habitação também vêm ocorrendo nas últimas semanas.
O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, afirmou estar preocupado com o que considera um fenômeno de alcance internacional, capaz de se alimentar de episódios semelhantes em outros países. Em declarações à agência italiana Ansa, ele relatou vitrines quebradas, lojas saqueadas e moradores assustados, e disse que cenas semelhantes têm sido vistas em cidades de diferentes partes do mundo.
Fonte: veja.abril.com.br