Tombo dos papéis logo após o anúncio da reeleição do petista é o prenúncio do que aguarda o Ibovespa no pregão desta segunda-feira
A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após permanecer durante praticamente a corrida eleitoral atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), já causa terremotos no mercado financeiro. Por volta das 21h30, o iShares MSCI Brazil (EWZ), um fundo de índice que espelha as principais ações brasileiras e é negociado na Bolsa de Nova York, derretia 19,14% nas negociações do aftermarket. Com isso, suas cotas eram cotadas a 34,44 dólares. No fechamento da sexta-feira 23, esses papéis haviam fechado em 42,59 dólares.
O tombo do EWZ é um prenúncio do que aguarda a Bolsa brasileira no pregão de amanhã, já que o mercado apostava na vitória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, visto como alguém que representava a agenda de reformas econômicas defendida pelos financistas.
Por isso, o comportamento esperado para esta segunda-feira 26 será de forte contraste com a euforia no primeiro pregão após o primeiro turno. Naquele dia, o Ibovespa encerrou em alta de 7,7% e alcançou o então inédito patamar de 206 912 pontos. Boa parte da alta foi puxada pelos investidores estrangeiros, que injetaram 10 bilhões de reais na bolsa. Embalado pelo entusiasmo com a possibilidade de vitória de Bolsonaro, o Ibovespa renovou o recorde dias depois ao alcançar os 209 067 pontos.
Agora, a perspectiva de um quarto mandato de Lula, conhecido pelo histórico desprezo pela disciplina fiscal, é interpretada pelo mercado como sinal de que os juros continuarão altos, retirando a atratividade dos ativos de renda variável e inibindo os investimentos produtivos. Para reverter esse pessimismo, cabe ao presidente reeleito arrumar as contas, a fim de conter o salto da dívida pública que encerrará o ano equivalente a 83% do produto interno bruto (PIB). A julgar pela forte reação negativa do EWZ nas primeiras horas após a reeleição, os investidores não apostarão nisso.
Fonte: veja.abril.com.br