O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a reeleição no segundo turno, realizado no domingo (25), com uma virada inédita na história do país sobre o candidato Flavio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Depois de ser derrotado na primeira etapa do pleito presidencial, Lula também partiu atrás nas últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas antes da eleição, mas atingiu a maioria dos votos válidos nas urnas eletrônicas 51,79% contra 48,21% e venceu a corrida

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a reeleição no segundo turno, realizado no domingo (25), com uma virada inédita na história do país sobre o candidato Flavio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Depois de ser derrotado na primeira etapa do pleito presidencial, Lula também partiu atrás nas últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas antes da eleição, mas atingiu a maioria dos votos válidos nas urnas eletrônicas 51,79% contra 48,21% e venceu a corrida presidencial. Para comentar o resultado da votação e analisar os motivos por trás da virada de Lula no segundo turno, o Estúdio CBN recebeu nesta segunda-feira (26) o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Claudio Couto. O especialista aponta que a postura de Flavio Bolsonaro ao longo dos debates presidenciais e a sua rejeição por parte dos eleitores foram os elementos cruciais para a queda das abstenções no segundo turno e a consequente vitória de Lula. Segundo turno contou com um aumento expressivo de eleitores em relação ao primeiro: cerca de três milhões de pessoas a mais compareceram às urnas no último domingo, registrando a menor taxa de abstenções (19,22%) desde as eleições de 2006. Acho que primeiro um sentido de urgência. Um sentido de urgência que não houve da mesma forma no primeiro turno. Seria uma eleição pautada por uma expectativa de mudança. Não é qualquer mudança que necessariamente é desejável, e muita gente pode ter percebido que havia um risco de que essa mudança fosse uma mudança para pior, dada essa postura arrogante (por parte do candidato Flavio Bolsonaro). Alguém poderia dizer: 'se o candidato está com essa arrogância antes de sentar na cadeira, imagina depois que sentar'. Além dos 10,4 milhões de votos que Lula ganhou e os 3,8 milhões que Flávio ganhou, 213 cidades viraram do candidato do PL para o do PT, inclusive em lugares como São Paulo e Rio de Janeiro. O contrário aconteceu só em um único município de Goiás. Para Claudio Couto, o receio pela vitória de Flávio, com o retorno da família Bolsonaro ao poder, foi superior ao entusiasmo pela reeleição de Lula. O presidente Lula tinha uma taxa de rejeição muito elevada. Mas como o Flávio também tinha uma taxa de rejeição muito elevada, é possível que na disputa de rejeições, a rejeição ao Flávio tenha superado a rejeição ao Lula, não só em termos quantitativos. 'Quanto mais eu rejeito aquele do que eu rejeito este?' E aí, consequentemente, se rejeitando mais Flávio do que Lula, mesmo o eleitor que não gostasse nenhum dos dois pode falar: 'bem, eu acho que não está bom aqui, mas lá vai ficar pior, então eu prefiro votar nesse aqui'. Então acredito que esse possa ter sido também um fator importante. O medo da volta da família Bolsonaro. A derrota de Flávio nas eleições deixou o futuro do grupo comandado pela família Bolsonaro em aberto. O especialista analisou quem poderá se tornar o próximo rosto da direita, pensando já no pleito presidencial de 2030. O bolsonarismo tem como uma das suas características principais ser um projeto político familista. Não à toa, na hora de definir o sucessor, falava de Tarcísio. Que Tarcísio que nada. O dedaço paterno do ex-presidente (Jair Bolsonaro) foi para ungir o Flávio. Só que, com essa derrota, vai abrir espaço para outros. Se vocês pegarem aquele discurso de negação da derrota (refere-se ao discurso de Flávio Bolsonaro, após o resultado da eleição), Tarcísio não aparece na imagem. Ele até estava lá. Por que o Tarcísio se escondeu dessa imagem? O nome mais forte hoje nesse campo da ultradireita para 2030, eu diria, já não é mais um Bolsonaro. É provavelmente Tarcísio.
Fonte: cbn.globo.com