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A reveladora promessa que Flávio Bolsonaro fez no Pará sobre meio ambiente

Candidato do PL promete eliminar entraves ambientais, enquanto o país registra queda recorde no desmatamento

O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) deu uma indicação reveladora sobre como pretende conduzir a política ambiental caso seja eleito presidente. Durante uma motociata em Marabá, no Pará, na segunda-feira, 19, Flávio prometeu remover restrições ambientais, que ele atribuiu a motivações ideológicas, e ampliar a regularização fundiária no estado. Sem especificar quais normas seriam alteradas, defendeu mais liberdade para proprietários plantarem, criarem gado e explorarem economicamente suas terras. Você vai poder plantar, criar gado, fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu, disse o candidato.

A declaração ajuda a esclarecer a orientação prática de um programa de governo que combina compromissos de preservação com a flexibilização de controles. Flávio propõe eliminar o desmatamento ilegal até 2029, empregar satélites e inteligência artificial na fiscalização e incentivar o mercado de carbono, a bioeconomia e o pagamento por serviços ambientais.

Ao mesmo tempo, o plano prevê permitir o autolicenciamento ambiental em determinadas situações, reduzir a sobreposição entre órgãos públicos e ampliar a exploração de minerais, petróleo e gás, incluindo a possibilidade de fraturamento hidráulico técnica considerada de alto risco ambiental. A proposta também não estabelece metas de redução das emissões nem apresenta um cronograma para a transição energética.

A ênfase de Flávio na liberdade de exploração das propriedades, a despeito da necessidade de conter o desmatamento, reforça a continuidade com a agenda de Jair Bolsonaro, marcada pela crítica à regulação ambiental e pela prioridade concedida às atividades produtivas. Em 2019, o próprio Flávio apresentou, com o senador Márcio Bittar, um projeto para extinguir a exigência de Reserva Legal (a área mínima de floresta nativa que precisa ser mantida nas propriedades rurais); a proposta acabou retirada e arquivada.

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Ambientalistas e executivos de grandes empresas com programas de sustentabilidade estão preocupados com a possibilidade de que o governo de Flávio Bolsonaro represente um retrocesso nas políticas de proteção ambiental.

O questionamento ocorre no mesmo momento em que o Brasil registra uma redução recorde do desmatamento. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a área derrubada na Amazônia Legal caiu 42%, para 3.335 quilômetros quadrados o menor resultado desde o início da série histórica, em 1988. A queda acumulada em relação a 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, foi de 71%. No Pará, ainda o estado com a maior área desmatada, o recuo anual chegou a 45%.

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Na gestão de Bolsonaro, por sua vez, houve um aumento de quase 60% na taxa anual de desmatamento na Amazônia Legal. Uma frase famosa do seu então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre a necessidade de passar a boiada com regulações que reduzissem as amarras ambientais, costuma ser usada para resumir o que foi a abordagem do seu governo em relação ao tema.

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Fonte: veja.abril.com.br

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